01/04/2014 07:50

As mentiras que não são mais contadas no dia 1º de abril

Dia da Mentira

Joana Prado, historiadora e professora da UNIGRAN, fala sobre o Dia da Mentira

É história, tradição e faz parte do Folclore brasileiro. O 1º de abril, intitulado Dia da Mentira, surgiu como uma brincadeira há vários séculos, trazendo diferentes versões acerca da sua criação. A mais comum, de todas as histórias, é a de que, na França, desde o começo do século XVI, o ano novo era comemorado em 25 de março, com a chegada da primavera e festas que seguiam até o dia 1º de abril, mas em 1562, com o papa Gregório XIII, instituiu-se um novo calendário para todo o mundo cristão, conhecido como calendário gregoriano, em que o ano novo seria em 1º de janeiro.

A história conta que o rei francês só seguiu o decreto papal dois anos depois, em 1564. Conforme a professora da UNIGRAN e historiadora, Joana Prado Medeiros, os franceses resistiram à mudança. “As pessoas que não aceitaram essas mudanças, faziam ainda as comemorações. Então, tiravam sarro porque era uma mentira, muita gente não aceitou a mudança dessa data e estavam festando com galhofas, brincadeiras, por conta disso começa então dia 1º de abril o Dia da Mentira”, conta.

Nas brincadeiras da época, as pessoas marcavam uma festa no local e, quando chegavam, não havia festa, espalhavam a notícia de que havia morrido alguém importante, que na verdade não tinha morrido. “Por exemplo, em 1957 a BBC de Londres lançou uma grande mentira no dia 1º de abril, que havia uma região da Suíça em que foi colhida grande quantidade de espaguete, árvores de espaguete, que foi tão bem articulada, bem feita, que todo o mundo acreditou. Durante dois meses ou mais, a BBC começou a receber pedidos querendo saber onde se achava muda desse espaguete”, menciona a historiadora.

No Brasil, algumas buscas historiográficas contam que o Dia surgiu em Pernambuco, outras contam que foi em Minas Gerais. Segundo Joana Prado, “em Minas a história conta que, em 1828, criaram um periódico, esse periódico se chamava ‘A Mentira’, criado no 1º de abril, lançando a notícia de que Dom Pedro I tinha falecido e foi desmentido dois dias depois. O jornal se consolidou por cerca de duas décadas, e encerrou suas atividades avisando aos credores que deveriam receber a dívida no dia 1º de abril. Deram um endereço não existente, então, tirando sarro”.

Comemorações nos dias atuais

O contexto histórico atual do Dia da Mentira não é o mesmo do que antigamente, de acordo com a professora Joana. “O contexto se perdeu como todo e qualquer movimento, o dia 1º de abril é um movimento folclórico, está inserido em nossa cultura”, disse. As comemorações são de cunho religioso e político: Páscoa, Amizade, Namorados, Natal, etc. “As mídias sociais estão ampliando as comemorações dos dias, o que tem um vínculo com a questão do mercado, política e sobremaneira, com o consumismo”, afirma.

Antigamente, o 1º de abril era forte, crianças, jovens e adultos bolavam quais mentiram iriam contar no dia. “Eram muito gostosas as brincadeiras, ninguém nunca ficava bravo com a mentira, estava instituído que você podia fazer a brincadeira. Então, hoje se perdeu esse brilho, essa manutenção da tradição deste folclore, com o advento do neoliberalismo”, explica.

Para a historiadora Joana Prado, hoje tudo está vinculado ao consumo. “No mundo em corte do neoliberalismo, globalizado, se perde a tradição, a cultura, o Saci Pererê, o dia 1º de abril, as lendas, as literaturas de cordel, tudo isso se perde do seu cunho original. Porém, pode ser recriada e recontada”, considera. Para finalizar, a professora faz a seguinte pergunta: “Qual é a mentira que você gostaria de ouvir no 1º de abril?”.

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