03/12/2012 00:00

Artesã propõe mudança de atitude através de decoração natalina

O presépio foi todo confeccionado com garrafas PET, papelão e palha

O clima de fim de ano é contagiante e, nas ruas, já é possível ver a mudança na decoração das lojas, casas e avenidas. Mas essa decoração pode ser também uma forma de reunir amigos e fazer a diferença. É o que busca uma artesã douradense que, há dez anos, trabalha com material reciclado e leva criatividade aos lugares que frequenta.

Tudo começou com vasos de tulipas no Núcleo de Psicologia da UNIGRAN, no ano passado. Com o apoio da coordenadora do Núcleo, Aletéia Ferruzzi, a artesã e acadêmica do curso, Cleonice Hermanson, 51 – Cleo, como prefere ser chamada - passou a fazer arranjos de flores de tecido para alegrar as salas onde os pacientes eram atendidos.

O clima começou a contagiar todos do Núcleo e logo Cleo estava fazendo as guirlandas que, hoje, decoram o saguão e a entrada do Núcleo. Pouco a pouco, acadêmicos, estagiários, funcionários e pacientes se uniram para transformar o ambiente e dividir momentos de descontração. Quando Cleo encontrou, em uma sala usada como depósito, uma armação de árvore de Natal já esquecida, não restaram dúvidas: era hora de unir todos para fazer a Árvore de Natal do Núcleo.

“Eu vi que tinha uma armação da árvore aqui há muito tempo. Estava até com um enfeite muito bonito de anos anteriores, mas já estava velho. Estava lá, guardadona, e eu pensei ‘ah, gente, não resisto!’”, lembra Cleo. A partir daí, todos se uniram para a parte que, segundo a artesã, era a mais difícil, reunir garrafas PET em quantidade suficiente.

Foi com a ajuda de amigos, parentes e vizinhos que elas reuniram material suficiente para confeccionar a árvore e o presépio, todos completamente sustentáveis. Uma das ajudantes foi Lillian Ferraz, 19, acadêmica do 4º semestre de Pedagogia e que há mais de um ano estagia no Núcleo. “É uma sensação muito boa, a gente olha e pensa ‘nossa, fui eu que fiz!’”, comenta.

Influência

Para Cleo, que se forma em Psicologia esse ano, a atividade é muito mais do que simples artesanato. “Nós estávamos todos aqui em uma tensão violenta, final de semestre, e nós percebemos a descontração que isso trouxe, como a arte faz a gente se desligar um pouco da tensão”, explica ela, que com a atividade descobriu a existência de uma pós-graduação na área, voltada para a arte-terapia.

A filosofia da artesã é levar a mudança para a vida das pessoas, através do trabalho manual. “Disseminar isso é fantástico. A ideia não é transformar o local, é transformar o coração da pessoa para que ela perceba que pode fazer qualquer coisa”, afirma.

Um exemplo dessa mudança é Elena Martins, 40, funcionária do Núcleo e acadêmica do 6º semestre de Serviço Social. Inspirada pela iniciativa, ela decidiu fazer sua própria árvore sustentável em casa, e sentiu as mudanças que a atividade trouxe. “A gente tem também a oportunidade de aprender junto com ela”, destaca.

Este foi o segundo ano que o Núcleo ganhou uma decoração sustentável e, agora, a preocupação de Cleo é com o Natal do ano que vem, já que ela não estará mais na faculdade para continuar com o projeto. “Eu fiquei com uma sensação de perda, será que ano que vem eu não vou poder decorar mais?”, lamenta. Mas Cleo assegura, está mais do que disposta a transmitir seus conhecimentos para quem quiser continuar a iniciativa.


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