21/07/2012 12:21

Engenheiro agrônomo da UNIGRAN fala sobre a ocorrência de geada

A geada do ponto de vista meteorológico acontece quando há deposição de gelo sobre as superfícies expostas ao relento em noites de intenso resfriamento. Neste caso, temperatura de 0 °C é o suficiente para provocar a geada. A geada do ponto de vista agronômico é um fenômeno atmosférico que provoca a morte das plantas ou de suas partes (folhas, ramos, frutos), devido à ocorrência de baixas temperaturas que acarretam o congelamento dos tecidos vegetais, havendo ou não a formação de gelo sobre as plantas. Considera-se a ocorrência de geada quando a temperatura no abrigo meteorológico (nas estações meteorológicas convencionais ou automáticas) é menor que 2 °C, o que em noites com características de geada corresponde a -2 °C na relva, ou seja, na superfície gramada exposta ao relento. Pois há uma diferença estimada em 4 °C entre a temperatura a 1,5 m de altura onde estão instalados os sensores até a temperatura na superfície gramada ou do solo. Quanto aos ID_TIPOs de formação, as geadas podem ser classificadas em: de advecção ou de vento frio, mista, de canela, branca, negra e de radiação, que é a mais comum. A geada de radiação mais branda acontece em noites calmas e de céu limpo, quando não há nuvens para interceptar o calor irradiado pela superfície terrestre (ondas longas), que vai direto para o espaço. Consequentemente, o resfriamento da superfície é maior. No Mato Grosso do Sul pode ocorrer geadas mistas que são observadas quando os processos de geada de advecção e de radiação ocorrem sucessivamente. Primeiro ocorre a geada de vento, com a entrada da massa de ar frio, e posteriormente a geada de radiação, quando a alta polar passa a atuar deixando o céu sem nuvens, sem vento e o ar frio e seco. Os danos causados pelas geadas nas plantas podem ser devido ao efeito sobre os processos físico-químicos induzidos por temperatura letal causando congelamento da solução extra-celular provocando desequilíbrio do potencial químico da água na solução intra-celular em relação à solução extra-celular, o que gera um fluxo contínuo da solução intra para a extra-celular causando a morte das células. Os sinais causados por este processo são: desidratação das células, perda do potencial de turgescência, redução do volume celular e ruptura da membrana plasmática promovendo sintomas nas folhas como flacidez e coloração verde escura, passando a ficar seca com o tempo (coloração palha em algumas plantas – milho – e marrom em outras), nos caules os vasos condutores ficam necrosados (escuros) e os frutos sofrem danos generalizados interna e externamente. A temperatura letal aos vegetais depende da espécie, fase de desenvolvimento, do estado fitossanitário e do estado nutricional. A temperatura letal das principais culturas cultivadas no Mato Grosso do Sul são: - Trigo e Aveia: Germinação -9 °C, Florescimento -2 °C, Frutificação -4 °C; - Feijão: Germinação -5 °C, Florescimento -3 °C, Frutificação -4 °C; - Milho: Germinação -2 °C, Florescimento -2 °C, Frutificação -3 °C; - Cana-de-açúcar: Seca dos ponteiros -2,8 °C, Danos nas folhas e no meristema apical -3,3 °C, Colmos inteiramentes danificados -5 °C. Para cultura do milho estudos indicam que até o estádio fenológico V6, os danos causados pelas geadas podem danificar as folhas, entretanto sem impacto significativo no rendimento devido o milho manter seu ponto de crescimento até esse estádio (V6), abaixo do nível do solo. Em estádio fenológico em fase reprodutiva, os danos no rendimento causados pelas geadas podem ser afetados principalmente entre os estádios VT (pendoamento) e R5 (grão dentado), motivo pelo qual nesses estádios a umidade é de cerca de 55%. Após essa fase, os efeitos da geada tendem a diminuir os efeitos da geada devido a redução no teor de umidade dos grãos que estão com aproximadamente 30%. Técnicas potencialmente minimizadoras dos efeitos das geadas: local de semeadura (baixadas estão mais sujeitas a ocorrência de geadas, devido a redução do movimento de massa de ar), adequação das datas de semeadura (no caso do milho, a data de semeadura deve ser planejada de modo a se evitar que o florescimento e o início do enchimento dos grãos ocorram durante os meses de maior probabilidade de geadas), aplicação de produtos químicos nas plantas visando a aumentar a concentração de solutos na planta, fazendo com que a temperatura de fusão da solução diminua ainda mais, evitando assim o congelamento da solução extra-celular (os produtos recomendados são potássio, cálcio e inseticidas sistêmicos que devem ser aplicados via foliar com um ou dois dias de antecedência), formação de neblina artificial com o objetivo de produzir uma barreira que reduza a emissão de ondas longas pela superfície e irrigação permita aplicação de água por aspersão durante a noite da geada a uma taxa de 2 a 6 mm/DATA_HORA (quanto menor a temperatura no abrigo maior a taxa de aplicação de água). O congelamento da água libera calor latente, reduzindo o resfriamento, mantendo a temperatura por volta de 0 °C. A presença de gelo e água indica que a temperatura se mantém em 0 °C, acima da temperatura letal das plantas. Concluindo, a minimização dos efeitos das geadas pode ser obtida realizando-se zoneamento de áreas que apresentem maior frequência de geadas, aliado a isso, a escolha de variedades resistentes, adoção de técnicas de controle e combinação dessas técnicas que permitam reduzir os efeitos da geada nas culturas agrícolas. * Fábio Régis de Souza - Professor dos ID_CURSOs de Agronomia e Tecnologia em Produção Agrícola da UNIGRAN
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