Revista Multidisciplinar da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da Unigran | ISSN-1981-3775

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EDITORIAL

APETITE E SINTOMAS DE IMPACTO NUTRICIONAL EM PACIENTES COM CÂNCER

Os pacientes acometidos pelo câncer, geralmente apresentam uma variedade de sintomas de impacto nutricional, como náuseas, vômitos, constipação, diarreia, fadiga entre outros que podem interferir nas atividades diárias destes pacientes. A toxicidade do tratamento antineoplásico, especialmente da quimioterapia, pode intensificar ainda mais a persistência destes sintomas e impactar negativamente na ingestão alimentar dos pacientes com câncer, sendo anorexia a causa primária mais comum da redução de alimentos. Como resultado, a perda de peso é um indicador importante a ser monitorado durante o ciclo de tratamento.

Entretanto, outros fatores podem influenciar na agressividade dos sintomas, como o tipo e o local da neoplasia, o estadiamento da doença, presença de metástase, o protocolo de tratamento, a qualidade de vida, outras doenças associadas e o estado nutricional prévio dos pacientes.

Estudos recentes têm mostrado que a investigação de aspectos como o apetite e sintomas sobrepõe a ingestão dietética e devem ser considerados pelos profissionais de saúde na prática clínica em seus protocolos de avaliação bem como acompanhamento. Isto não quer dizer que, avaliar o que o paciente come quali e quantitativamente possa ser desconsiderado, mas que devemos dar importância para fatores preocupantes que antecedem a redução da ingestão alimentar e, que na maioria das vezes, culmina em prejuízos e complicações nutricionais.

A maioria dos pacientes com câncer em tratamento apresenta ingestão alimentar aquém às recomendações energéticas e proteicas em decorrência de uma séria de fatores inerentes à doença e/ou ao tratamento, portanto, necessitam de atenção e avaliação individualizada para que o profissional nutricionista possa estabelecer estratégias de intervenções nutricionais seguras e mais assertivas.

Devido à complexidade dos fatores, nem sempre investigar o apetite e sintomas é uma tarefa fácil para o nutricionista, muitas vezes pelo desconhecimento de ferramentas validadas para pacientes com câncer disponíveis para o rastreamento destas informações. Cabe ressaltar, que na formação generalista do nutricionista aprende-se sobre os instrumentos para avaliar o risco nutricional e levantamento dietético, sendo estes os “questionários” mais incorporados à prática clínica. Portanto, avaliar o apetite e sintomas é um tanto desafiador.

Desta forma, enfatizo a importância do uso adequado de ferramentas/instrumentos para avaliação do apetite e sintomas em pacientes com câncer, com propriedades psicométricas adequadas e com uma proposta individualizada para o cálculo do escore final. Isso pode contribuir para um diagnóstico mais preciso do acometimento do apetite e, portanto, uma estratégia de gerenciamento clínico mais resolutiva.

Tendo em vista a importância de tratarmos sobre este assunto, a adoção de instrumentos que são preditivos para a perda de peso no câncer é indispensável na rotina do nutricionista e demais profissionais de saúde, independentemente se o paciente requer um regime ambulatorial, atenção domiciliar ou hospitalização.

Pacientes com menor acometimento do apetite, apresentam maior sobrevida, melhor qualidade de vida e o peso corporal geralmente mais saudável.

Entretanto, chamo a atenção, que em face a epidemia global da obesidade, uma abordagem do paciente baseada apenas no peso corporal tornou-se cada vez mais ineficaz. Portanto, os profissionais de saúde também devem atentar-se aos pacientes com excesso de peso/obesidade, uma vez que também estão susceptíveis à anorexia, caquexia, sarcopenia, fragilidade e seus efeitos adversos.


Dra. Maria Claudia Bernardes Spexoto*
Professor Adjunto da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Grande Dourados*
Correspondência:
mariaspexoto@ufgd.edu.br