Acadêmicas da UNIGRAN apresentam trabalho sobre Toxicomania em Semana Científica de Psicologia.

Profª Sandra Haerter e a estudantes Juliana Treuhertz (d) junto ao painel, cujo trabalho foi aceito pela Comissão Científica do evento da UCDB.
As estudantes de Psicologia dos 3º e 4º anos, Cristhie Rodrigues, Dayana Roberta de Oliveira e Juliana Treuherz fizeram a apresentação do trabalho de iniciação científica "Drogas: Falta de Esperança?", na Universidade Católica Dom Bosco, marcando a presença do ID_CURSO de Psicologia da UNIGRAN na "Semana Científica de Psicologia", que está sendo realizada por aquela Universidade campo-grandense desde segunda-feira. Orientadas pela professora Andréa Carla Brunetto, as acadêmicas fizeram entrevista com dependentes químicos, em Dourados, com o objetivo de compreender as razões que levam ao vício e a contribuir com a sociedade na solução desse mal. O trabalho das acadêmicas da UNIGRAN segue na direção da "Semana Científica de Psicologia da UCDB", que se define por três de seus principais objetivos: fomentar a discussão do desenvolvimento humano, sofrimento e saúde mental, nos eixos científico, político e ético; possibilitar um aprofundamento teórico-prático, abordando-se estudos e contribuições recentes da Psicologia nesta temática; e refletir sobre as principais questões da saúde como alternativa necessária para a prática do psicólogo, implicado na promoção integral da vida. A psicóloga Sandra Luzia Haerter Armôa Lopes, coordenadora do ID_CURSO de Psicologia da UNIGRAN, pondera que, nessa reflexão é preciso indagar o "olhar para a realidade em que os homens estão inseridos e para o ID_TIPO de compromisso que temos com essa realidade: Patrulheiros da normalidade ou de transformadores das condições que comprometem a saúde e geram sofrimento psíquico?". Reproduzimos, abaixo, o texto do painel que apoiou a apresentação das estudantes da Instituição, em Campo Grande. Toxicomania: Falta de Esperança? Segundo Bucher até recentemente, no Brasil, havia poucos estudos sobre as drogas lícitas, sendo enfatizado as ilícitas e o tráfico. Hoje o Brasil já dispõe de dados epidemiológicos recentes, embora sejam, ainda, apenas os estudantes a população mais estudada, não alcançando um diagnóstico fidedigno da realidade brasileira. Os hábitos de consumo são fortemente influenciados pelas condições de vida no contexto social, econômico, político e cultural, que os condiciona e também incentiva. A própria sociedade a instila, alimenta e mantém a toxicomania, é necessário estarmos atentos ao consumo crescente de medicamentos, incentivados em mídia e pela industria dos psicofármacos, que são substâncias pela sua maioria licitas, mas que criam dependência e implicam em um prazer psicológico. A toxicomania na adolescência adquiriu um novo sentido na problemática pessoal destes, que escolhem a droga para resolver as suas dificuldades existentes. Sabemos que aquilo que foi experimentado na infância desempenha importante papel na adolescência e na vida adulta. Com isso percebemos que o progresso de cada adolescente no amadurecimento emocional dependerá, em grande escala de suas experiências emocionais anteriores. Se através dos anos este adolescente não for ajudado a entender a si e aos outros, a identificar seus valores, conseqüentemente não desenvolverá a autodisciplina e não aceitará as responsabilidades da progressiva proporção de liberdade que vai alcançando no decorrer dos anos. Nos deixando claro a fuga do adolescente para o mundo das drogas. Eles escolhem submeter-se à lei da cocaína (por exemplo) as suas propriedades químicas e à forma de vida toxicomaníacas. Eles precisam de um solo, de trilhos para assumir. A toxicomania, inconscientemente, é a experiência da morte e do renascimento. O risco da morte e a interrogação a Deus para continuar vivendo, surgem como uma tentativa de amadurecimento destinada a permitir o desfecho de uma crise de adolescência mal iniciada. As atitudes toxicomaníacas, embora caracterizadas pela autodestruição, visam o objetivo de viver. É de grande importância deixarmos claro, a impossibilidade de enquadrar todos os toxicômanos em uma categoria estrutural de personalidade apenas. Porém, de forma não estrutural, mas funcional, insere-se um número de elementos característicos, que se mostram comuns às diferentes formas de personalidades toxicomaníacas encontradas. Entre esses elementos, três se mostram como dominantes no quadro clínico apresentado pelas personalidades toxicomaníacas, os quais notavelmente se revelam na adolescência sendo elas: as carências imaginárias, onde estas limitam as trocas afetivas como o mundo exterior e a realidade que este mundo representa. As manifestações comportamentais, onde a uma regressão das atividades mentais, em que os toxicômanos procuram utilizar um procedimento de defesa, o qual consiste em situar no exterior de si próprio todas as fontes de dificuldades. Projetando neste universo considerado maldito e, acusando-o de todos os seus males. A terceira característica do toxicômano são as carências identificatórias, que demonstram muitas dificuldades de se afirmar diante dos outros, bem como diante de si mesmo. Uma das causas é a ausência dos modelos parentais, que são pais apagados, pouco presentes e pouco representativos. Ao falarmos da toxicomania na cidade de Dourados, afirmamos que a incidência é grande, porém, os dados epidemiológicos e estatísticos são insuficientes. No momento atual, Dourados não possui nenhuma instituição municipal ou estadual com equipe multidisciplinar para atender em regime de ambulatório e internação a clientela. Desde março de 2001, o Conselho Municipal Anti-Drogas, COMARD, vem se reorganizando em prol dos dependentes químicos, porém, este ainda não possui um local fixo e cuidados destinados apenas a esta pratica, sendo atendidos na Unidade de Saúde Mental de Dourados. Segundo questionário aplicado nos 11 internos da Casa da Esperança, Comunidade de Assistência e Recuperação a Dependentes Químicos, instituição religiosa de Dourados, verificamos a preponderância de que os internos foram influenciados a usar primeiramente as drogas através da curiosidade e como segunda resposta, a influência de amigos. A idade com que se começou o uso, nos chamou atenção, pois 100% deles se envolveram com as drogas antes dos vinte anos de idade, o que representa a adolescência. As primeiras drogas usadas por eles foram o álcool e o cigarro, e em terceiro a maconha. Nas perguntas descritivas, ao responder o que particularmente é a droga, as respostas mais encontradas foram de que a droga é uma alteração do comportamento e uma ilusão.Os efeitos e sensações que as drogas provocam durante e após o uso, foram expressos de varias maneiras, sendo elas: Durante - feliz, ativo, eufórico, alívio, descontração, excitação, ânimo e coragem. Após - nervosismo, solidão, depressão, raiva, vergonha, medo, arrependimento. Três dos internos eram órfãos de pai e um de mãe. Segundo seus relatos o diálogo não acontecia ou era uma relação conflituosa, cheia de receios e carências reprimidas. Muitos não souberam especificar o que os levaram a usar a droga, outros responderam o não aceitamento da vida, falta de auto-afirmação e respostas (fase da adolescência), motivos de perda. Devemos estar atentos ao significado do "fenômeno droga", pois nos próximos anos as mesmas razões profundas causadoras da toxicomania podem provocar outras variedades de comportamentos também inquietantes. A dependência química não faz referencia somente ao sujeito-usuário em particular, ela permeia todo o contexto familiar e cultural que o sujeito está inserido. Neste trabalho direcionamos nosso olhar sobre a toxicomania como um efeito da separação entre as gerações, onde os jovens se afastam em busca de seus próprios conhecimentos e valores construindo um "mundo à parte", com sistemas de valores próprios. Estes fatores, somados a múltiplas e variadas experiências vividas quando crianças e as dificuldades vivenciadas na adolescência como conflitos insolúveis, fazem do sujeito um ser sem esperança, tendo como refúgio de sua "satisfação" o mundo da toxicomania. A prevenção da toxicomania não se relacionaria a um fortalecimento de laços familiares, e principalmente a uma conscientização de valorização da própria vida?

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