Estudo de acadêmicos confirma a necessidade de psicólogos no PSF.

O Programa de Saúde da Família ficará ainda melhor com a inserção de psicólogos nas equipes de saúde. Essa é a conclusão a que chegaram os agentes de saúde de Dourados, estudantes de Psicologia da UNIGRAN, a coordenadora estadual do PSF, Adriana Tobal, bem como a superintendente municipal de Saúde, enfermeira Dirce Regina Simczak. Elas participaram nesta semana da apresentação dos resultados das observações feitas por 29 acadêmicos de Psicologia que, divididos em cinco grupos, acompanharam a rotina de trabalho dos agentes de saúde em praticamente todos os bairros de periferia de Dourados.

Em seus relatórios, os acadêmicos reconheceram o ótimo trabalho que as equipes de saúde vêm realizando, conforme suas possibilidades e meios disponíveis. Contudo, frente à quantidade e complexidade dos problemas existentes, é necessário agregar mais profissionais especializados às equipes, além da composição mínima atual: um médico, um odontólogo, um enfermeiro(a), auxiliares de enfermagem e agentes de saúde.

O psicólogo atuaria diretamente no atendimento à população – existe uma quantidade alarmante de hipertensos, diabéticos, cardíacos, alcoólatras, depressivos e que sofrem de outros males – no sentido de conscientizá-la da importância de obedecer aos tratamentos médicos e do uso da medicação fornecida pelas equipes de saúde. “Por que será que muitas pessoas, mesmo tendo orientação (os agentes fazem reuniões constantes com grupos de gestantes, de hipertensos, diabéticos, e fornecem remédios) não aproveitam as informações e os medicamentos que recebem?”, questionaram os estudantes da UNIGRAN, propondo uma atuação intensa junto à população, apoiando o trabalho dos médicos e dos enfermeiros. Mais ainda. Os estudantes observaram que, face ao convívio diário com os problemas alheios, as próprias equipes de saúde estão sob forte estresse e necessitam de auxílio.

Presentes à exposição dos acadêmicos da UNIGRAN, diversos integrantes de equipes do PSF manifestaram sua concordância com as opiniões e sugestões que foram dadas. “Às vezes nós precisamos de psicólogo, para falarmos sobre nós, porque a gente vive numa sobrecarga de atividades... eles (os acadêmicos) vieram numa DATA_HORA muito boa, fizeram dinâmicas de grupo, e a nossa equipe resolveu todos os problemas rapidamente, agradecemos o respeito que tiveram conosco; e acho que foi recíproco o andamento dos trabalhos, vocês estão de parabéns mesmo”, comentou o enfermeiro Gledson.

A coordenadora estadual do PSF sugeriu: “Antes de o psicólogo dar apoio às famílias, a gente tem que pensar em apoio psicológico para a equipe. Nós temos quatro agentes de saúde que foram internados em hospital psiquiátrico, e vários que têm apoio psicológico e quase foram internados”, revelou Adriana Tobal. O estudo os acadêmicos da UNIGRAN a agradou bastante. “Gostaria de dizer que vocês têm uma aliada; eu estou disposta a fazer tudo que estiver ao meu alcance para a inserção do psicólogo nas equipes do PSF”, prometeu.

Já a superintendente de Saúde de Dourados praticamente deu as boas vindas aos futuros psicólogos: “Gostaria de não só recebê-los bem, como também dizer que estamos realmente de portas abertas para outras turmas e para vocês mesmos, porque vai ser muito bom”, falou Dirce Simczak. Para a professora, Cristina Nachif, da disciplina de Psicologia Institucional e responsável pela orientação dos acadêmicos durante todo o estudo, o trabalho dos estudantes da UNIGRAN representa o início da materialização de uma idéia que defende há duas décadas. “Estamos nessa luta há mais de 20 anos, Deus sabe o tanto que isso significa. Eu fui formada no tempo que psicólogo era para atuar dentro de consultório, com elites, e fui para a saúde pública, totalmente na contra-mão da minha formação, daí em diante, nós começamos uma luta pela inserção do nosso trabalho na saúde pública”, dizia a psicóloga e professora de um grupo de acadêmicos empenhados em serem profissionais diferenciados. “Eu acho que vocês tiveram a percepção correta do programa e isso me gratifica muito porque nós ainda vemos profissionais de saúde sem a menor noção do que seja o PSF, por isso, é necessário que a gente continue e que possa estreitar esses laços de parceria com as políticas públicas de saúde, de educação e de promoção social”, declarou Cristina Nachif.

A coordenadora do ID_CURSO de Psicologia da UNIGRAN, Gelsy Gerônima Camplesi, disse que o estágio de observação, que estava sendo viabilizado desde o início do ano, reafirmou o direcionamento do ID_CURSO, voltado para a formação de psicólogos atuantes na comunidade. “Nós vamos, sim, dar continuidade a esse trabalho porque temos uma proposta de formar psicólogos, mas que sejam profissionais de saúde voltados para a realidade, que possam auxiliar em termos de prevenção e qualidade de vida, não só o psicólogo clínico, de atuação tão restrita, mas sim aberto à comunidade”, falou.

FOTO (Teka): Dirce Simczak, Adriana Tobal, Cristina Nachif e Gelsy Camplesy ao final da apresentação das primeiras conclusões do estágio de observação de Psicologia, no anfiteatro da UNIGRAN.

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