Acadêmicos investem em hidroponia e conquistam o mercado

Professor José Ciro, com os sócios e o administrador da estufa, mostra a qualidade das hortaliças que são desenvolvidas sem o uso do solo
Três jovens empreendedores, sendo dois acadêmicos da UNIGRAN, apostaram na produção de hortaliças sem o uso do solo e comemoram os resultados. Moradores na cidade de Caarapó e bem empregados em uma usina sucroalcooleira, o investimento dado aos produtos naturais foi certeiro e sete meses depois de instalar uma estufa de 650 m² numa chácara arrendada por eles, o sucesso já é grande. Os consumidores aprovaram as hortaliças que se destacam pela qualidade das folhas graudas e nutritivas. A tendência da hidroponia surgiu na Europa e hoje já é sucesso em todo o mundo. No Brasil são vários os casos de sucesso entre produtores rurais e profissionais de diferentes áreas que abandonaram suas funções para se dedicar a produção de alimentos ecologicamente corretos, que usam pouco ou nada de defensivos na fase de desenvolvimento do produto. A técnica da hidroponia é simples, na qual se cultiva hortaliças dentro de estufas e sem uso do solo, porém com a utilização de água. A planta é colocada dentro de canaletas e sua raíz recebe em água corrente uma solução nutritiva balanceada que contém todos os nutrientes essenciais para o seu desenvolvimento. De início o ivestimento pode ser “pesado” para os pequenos produtores que vivem do cultivo de hortaliças, mas o retorno é dado como certo, já que nesse sistema os vegetais podem ser cultivados durante todo o ano. No caso de Caarapó, os três empreendedores – Claudinei Midena, Adilson Cardeal e Luis Antônio da Silva – apostaram na hidroponia já pensando no sucesso. Na região da Grande Dourados eles são os únicos a investir nesse sistema. A principio atendem apenas os consumidores da cidade de Caarapó, mas querem ir mais longe, pois os a demanda tornou-se tão grande que novos investimentos em estufas serão feitos nos próximos meses. A visão empreededora dos rapazes partiu do velho sonho de Luis Antônio que sempre pensou em montar um negócio próprio. Ele, que é estudante do ID_CURSO de Tecnologia em Produção Vegetal da UNIGRAN, comentou com o amigo Claudinei quando retornava da faculdade para casa sobre a vontade de montar um comércio. Sabendo que Claudinei dominava a técnica da hidroponia, fez a ele o convite de criar uma sociedade e construir estufas na pacata cidade de Caarapó. A ideia foi recebida com muito intusiamo por Claudinei, também acadêmico da UNIGRAN, só que de outro ID_CURSO – o de Administração com Ênfase em Agronegócios. Por já conhecer o sistema do plantio das ortaliças sem o uso de solo, o rapaz decidiu chamar um outro amigo, o Adilson Cardinal, que é engenheiro agronomo. O conhecimento dos empreendedores por atuarem em três grandes profissões ligadas ao setor do campo foi certeiro na tomada de decisão e para o investimento em hidroponia. As estufas foram montadas em agosto do ano passado. Para montar o negócio, os sócios recorreram a empréstimo bancário. As estufas foram adquirdas de um produtor de Dourados que abandonou o sistema. Tudo foi literalmente pesquisado, conforme explica o técnico em hidroponia Claudinei Midena. “Fizemos pesquisa de mercado e verificamos que os carapoenses preferem pagar um pouco mais caro numa hortaliça, desde que seja de qualidade. Isso também foi constatado nos supermercados. Ao vereficarmos que na região não tinha nenhum produtor que domina essa técnica, decidimos então investir na hidroponia”, conta o rapaz. Claudinei ficou sendo o reponsável pela parte técnica do empreendimento. Por ter sido pesquisador nessa área, conhece bem os nutrientes necessários para o desenvolvimento das hortaliças que crescem graudas. Os seus amigos passaram a ser os administradores, intermediando o processo de compra e venda com os clientes. “No início tivemos algumas dificuldades burocraticas de criar a sociedade, mas graças ao conhecimento que se adquiri na faculdade conseguimos levar o projeto em frente”, ressalta Claudinei, que estuda Administração com Ênfase em Agronegócios. Na estufa dos três sócios são cultivados alface e rucula. Com a ajuda de um funionário todo o processo hidropônico é feito com muito cuidado. Dependendo da condição climática, os vegetais precisam de macro e micronutrientes com balanceamento diferenciado. É Claudinei que prepara o sietema utilizado no cultivar. Trata-se da Técnica do Fluxo Laminar de Nutrientes (NFT), em que a solução nutritiva passa pelas raízes com a espessura de uma lâmina, de modo que a planta possa absorver todo o oxigênio que necessita. O empreendimento dos sócios foi visitado pelo coordenador do ID_CURSO de Administração com Ênfase em Agronegócios, José Ciro Teixeira, que considerou o investimento em hidroponia como marca da visão empreendedora que os acadêmicos têm durante a faculdade. “Isso reforça que durante o ID_CURSO eles recebem todo um aprendizado que os direciona a montar seu próprio negócio”, destaca o professor. SISTEMA DE PRODUÇÃO O NFT é o sistema de cultivo hidropônico mais utilizado do Brasil. Para montá-lo são necessários alguns equipamentos básicos que exigem uma atenção especial para que se consiga um melhor rendimento da produção. As hortaliças postas nas canaletas recebem nutrientes que vem de reservatórios, que ficam abaixo do nível do solo, a fim de facilitar o retorno da solução por gravidade e dificultar o aquecimento da mesma. Claudinei explica que os nutrientes dos reservatórios são bombeados até a estufa, de forma que os produtos passem pelas canaletas das hortaliças e retornem ao reservatório. Todo o cuidado é importante para garantir o desenvolvimento e a qualidade das plantas. Dessa forma, diariamente é feito uma avaliação da condutividade elétrica da água (nutrientes) para repor as soluções e realizar a sua troca, regularmente. Antes de a hortaliça ir para a canaleta, sua semente é desenvolvida numa bancada que utiliza a espuma fenólica, onde é germinada em material inerte, ou seja, que não interfere na nutrição. A espuma fornece boa sustentação para a muda, que depois de quatro a seis dias já está apta a ir à primeira bancada e receber os nutrientes para o seu desenvolvimento. Ela fica nesse sistema por mais dez dias, sendo repassada a outra canaleta. Lá atinge a “fase adulta” para o processo de colheita. HORTALIÇAS DE QUALIDADE As hortaliças cultivadas em estufas estão em ambientes protegidos, sem o uso de resíduos agrotóxicos e livre de doenças. Após a colheita as verduras têm maior durabilidade e aguentam mais tempo dentro da geladeira se comparada à hortaliça tradicional. Conforme explica o engenheiro agrônomo Adilson Cardeal a hidroponia como técnica, causa menores impactos ambientais e maior rentabilidade para o produtor. Nesse processo, as hortaliças ficam protegidas das intempéres climáticas (vento, chuva, etc.), trazendo ganho em sua produtividade e qualidade do alimento, já que não usam pesticidas e tem menos perdas. Ele explica que a grande vantagem desse cultivo é que o processo ocupa menos espaço físico, podendo colher a hortaliça (alface) entre 45 a 50 dias. A rucula é um pouco mais rápida, sendo colhida com até dez dias de antecedência, em comparação a alface. A vantagem desse cultivo consiste também pela produção continua. Enquanto no solo as hortaliças sofrem com as intervenções climáticas, dando perda de qualidade ao alimento, na hidroponia isso não ocorre e o produtor mantém o mesmo padrão durante o ano todo. Quem ganha é o consumidor que tem a possibilidade de encontrar hortaliças bem desenvolvidas e com qualidade. Diariamente os sócios colhem em suas estufas cerca de 200 plantas. Os produtos são entregues nos supermercados e nos verdureiros de Caarapó. Como a demanda é grande, os rapazes estão com projeto para ampliar a estufa dos atuais 650m² para 20.000 m². Isso dará possibilidade que eles colham por dia aproximadamente 7 mil hortaliças. Com tanto sucesso, os empreendedores querem conquistar o mercado da região. Visitas já estão sendo feitas aos supermercados da Grande Dourados. (FV)

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