Pecuária bovina foi destaque na Jornada de Veterinária da UNIGRAN.

Palestrantes enfocaram diversos aspectos da genética, reprodução e sanidade dos produtos da pecuária bovina em MS, semana passada.
Em visita esperada para novembro, técnicos da União Européia devem fazer nova avaliação da pecuária de Mato Grosso do Sul. Segundo os analistas, é certa a retomada das exportações de carne bovina para a Europa. Os pecuaristas estão se adequando às novas exigências do consumidor europeu, quanto à sanidade e rastreabilidade da produção. Por isso, logo devem recuperar as posições ocupadas antes da recente crise da aftosa. A certeza se deve à qualidade superior do bovino produzido no Estado. Nesse contexto, aumenta a importância do médico-veterinário em toda a cadeia da carne. A pecuária bovina foi destaque na IV Jornada de Veterinária da UNIGRAN, na semana passada. Ela foi o tema principal nas palestras sobre confinamento, sanidade dos rebanhos, vigilância sanitária e processamento industrial, criação de Brahman e otimização da produção, por meio da sofisticada técnica de sincronização de cio nas vacas. Em todos os seminários, os palestrantes pontuaram a necessidade dos conhecimentos, pesquisas e responsabilidade técnica do médico veterinário, desde a fazenda e o frigorífico, até o transporte e comercialização da carne no varejo. Vigilância Segundo o médico veterinário Aparício Pereira Toneles, fiscal federal agropecuário e inspetor de produtos de origem animal, do Serviço de Inspeção Federal (SIF), o Ministério da Agricultura está contratando 4 mil veterinários, através de conID_CURSO, para atender ao planejamento estratégico 2005 – 2015, do Ministério, que deverá firmar o país no mercado internacional da carne. Toneles explicou o trabalho do SIF, os fundamentos da nova legislação comunitária e de segurança, em matéria alimentar, e avaliou o cenário atual da pecuária de corte de Mato Grosso do Sul. Para ele, a carne bovina produzida no Estado apresenta muitas vantagens comerciais em relação aos concorrentes. As principais qualidades, segundo o inspetor, é a total ausência de substâncias contaminantes nos produtos e a criação a pasto do rebanho, bem como uma cadeia bem-estrutura de industrialização e comercialização. “Nós temos uma carne produzida com segurança [e] um parque industrial altamente habilitado, com controle de resíduos, controle de contaminantes e redução de patógenos”, disse o palestrante que vê na rastreabilidade o ponto falho, atualmente. De acordo com Aparício Toneles, hoje é possível saber, na gôndola do supermercado, de que lote provém a peça, em que região e como foram criados os animais, onde e quando foram abatidos, por exemplo, graças ao código de barras e outras tecnologias. As informações sobre o que está comprando são hoje direito do consumidor e fazem parte da rotina dos clientes europeus. Para o palestrante, a cadeia nacional da carne está obrigada a adotar esse controle plenamente, apesar das dificuldades alegadas, em relação ao tamanho do rebanho e as extensão áreas de pecuária do Estado. “O sistema teve muita reação contrária no Brasil; principalmente, aqui, em Mato Grosso do Sul, algumas lideranças negativas fizeram com que esse sistema não tivesse acontecido antes. Mas é um sistema que veio para ficar, porque é o direito do cidadão à informação clara e precisa e uma necessidade [de mercado], fora da cadeia da carne, tudo está normal com relação à rastreabilidade, na Europa funcionou e funciona muito bem”, declarou o palestrante, reforçando o papel do médico veterinário no aperfeiçoamento da rastreabilidade na pecuária de corte. Confinamento Outro nicho de atuação ainda carente de veterinários especializados no segmento é o confinamento de bovinos. Segundo o médico-veterinário Newton Teodoro, os regimes de confinamento e de semi-confinamento são opções que podem se revelar viáveis para o produtor. Contudo, exigem cuidados ainda maiores com relação ao manejo sanitário e nutrição dos animais, por exemplo. “É uma área que vai ser fundamental na pecuária de corte”, prevê o convidado, alertando os veterinários que outros profissionais estão ocupando espaços que eles estariam deixando abertos, “vim motivar, abrir o olho do pessoal que está ainda na fase acadêmica, para estudar fazer estágios (em confinamentos), o veterinário tem que incorporar isso de vez”, comentou. Brahman vs. Nelore O presidente da Associação dos Criadores de Brahman de Mato Grosso do Sul, Gustavo Villa Verde, defendeu que a raça tem potencial de tornar a pecuária do Estado ainda mais competitiva nos mercados nacional e internacional. Em comparações com o Nelore, o Brahman oferece a vantagem de ser dócil, apresentar maior índice de conversão alimentar, precocidade, alto rendimento e melhor “acabamento” de carcaça. Além disso, segundo o palestrante, a carne entremeada de gordura é mais macia e mais apreciada pelo consumidor. Com esses argumentos, Villa Verde procurou mostrar porque a raça, que foi introduzida no país tardiamente, em 1997, está ganhando terreno entre o Nelore também aqui no Estado. “De 2000 a 2007, a venda de sêmen Brahman [para inseminação artificial] cresceu 8%, enquanto que os outros caíram 13%, no mesmo período, devido aos problemas econômicos. Mais de 70 países utilizam o zebu, como fonte de produção de carne, e no Brasil, em 14 anos, já é a segunda raça mais utilizada na pecuária”, disse o criador. IATF Uma das técnicas mais inovadoras da pecuária moderna foi tema da palestra do zootecnista Carlos Scalon, assessor técnico dos Laboratórios Pfizer. Scalon explicou aos alunos de Veterinária os conceitos da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). Segundo o palestrante, a técnica, que faz uso de medicamentos de ponta, para indução do cio na vaca, possibilita alcançar índices de prenhez de 50%, já nos primeiro e segundo dias da chamada estação de monta – que também pode ser antecipada. Dessa forma, é possível uniformizar e programar o nascimento da maior parte das crias nas épocas mais favoráveis ao melhor crescimento e formação dos novilhos. Por meio da inseminação artificial simples e da monta natural, as taxas de prenhez são significativamente inferiores e acontecem de forma irregular ao longo da estação de monta. “A IATF, além de viabilizar a técnica da inseminação artificial, apenas 5% das vacas do rebanho nacional são inseminadas, o resto é por monta natural, sincroniza o cio das vacas, e no dia pré-determinado, pode-se inseminar todas elas, sem a necessidade de se identificar cio, [porque] a grande dificuldade na inseminação artificial são as falhas de detecção de cio, com a IATF eliminamos essa falha”, disse o zootecnista. Na palestra, Carlos Scalon discutiu tanto os aspectos logísticos da reposição do gado de corte, quanto os fundamentos fisiológicos da reprodução nos bovinos. (JR)

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