Ovinocultura do Estado carece de tecnologia, pesquisas e profissionais especializados.

Especialista demonstrou na UNIGRAN que produtores de MS estão deixando de ocupar um espaço importante por dar pouco valor à ovinocaprinocultura.
Sobram áreas em Mato Grosso do Sul para a criação de ovinos e caprinos, e faltam 15 mil toneladas dessas carnes no mercado nacional. Na opinião da médica veterinária Mariana Gilbert, a ovinocultura e a caprinocultura são atividades de grande potencial econômico para o Estado, se houver produtos de qualidade para oferecer. Para isso, é preciso encarar as atividades de forma profissional, com investimentos em tecnologias modernas e pesquisas sobre manejo, nutrição e reprodução. “Apenas 2% dos produtores aplicam alguma tecnologia para ter maior renda, isso é muito pouco, a gente pode dizer que é uma grande lacuna a ser preenchida por profissionais especializados”, disse a veterinária, falando de observações feitas em propriedades do Estado. Mariana Gilbert, uma dos colaboradores da IV Jornada de Medicina Veterinária da UNIGRAN, é secretária executiva e técnica da Câmara Setorial de Ovinocaprinocultura e responsável técnica do Subprograma de Apoio à Criação de Ovinos e Caprinos de Qualidade e Conformidade, da Secretaria de Produção e Turismo de Mato Grosso do Sul. Na palestra de quinta-feira, 11, ela falou sobre as causas da estagnação da ovinocultura no Estado e do que os produtores estão deixando de ganhar com o consumo crescente no país das carnes de cordeiro e ovelha. Nos grandes centros, esses produtos têm entrada assegurada nos restaurantes e supermercados. Segundo dados da Comissão Nacional de Ovinocaprinocultura, em 2006, o país gastou 14,5 milhões de dólares com a importação de 11,5 mil toneladas de carne ovina. Em 1997, esse gasto foi de US$ 7,7 milhões. Nesse intervalo, o consumo anual das carnes de cordeiro, ovelha e cabrito cresceu de 78 mil para 90,9 mil toneladas, enquanto que a produção nacional variou de 70 mil para 76 mil toneladas/ano, inclusive, com reduções entre 2000 e 2002, para a casa de 68 mil toneladas/ano. No âmbito estadual, essa última informação reforça a tendência de descarte de fêmeas pelos produtores, que julgaram a atividade como não-rentável. Segundo Mariana Gilbert, em 2007, 40% dos abates feitos pelo único frigorífico de Mato Grosso do Sul, que faz o abate inspecionado de ovinos, foram de fêmeas em idade de reprodução. Ela comentou que isso decorre de uma visão ainda tradicional dos produtores, que usualmente não dedicam atenção especial às ovelhas, criando os animais no meio do gado leiteiro, sem divisão por lotes e em pastagens inapropriadas. “Muita gente entrou e muita gente saiu da ovinocultura, e o pior: saiu falando mal porque entrou mal na atividade. Os poucos que investem em tecnologia no Brasil produzem carne de boa qualidade”, disse a médica. Ela afirma que a condição para aumentar a presença no mercado interno, tomando espaços ocupados principalmente por produtores do Uruguai. E o Estado reúne condições para isso, devido aos espaços disponíveis, clima, relevo e até de genérica, uma vez que já possui até uma raça própria de ovinos – a pé-duro, descendente da raça crioula do Rio Grande do Sul, chegou à região juntamente com os combatentes da Guerra do Paraguai. Mas faltam pesquisas científicas que levem ao melDATA_HORAmento genético e de um manejo que permita ter um animal pronto aos nove meses. No sistema antigo, ainda seguido por muitos, os animais são abatidos aos dois anos de idade ou mais, quando apresentam uma carne que é desaprovada pela maioria dos consumidores. “O que o mercado quer comprar são animais jovens [e] cortes como os carrés, costelas, T-bones, ninguém mais vai ao açougue comprar meia carcaça de capão abatido no frigomato”, disse a palestrante, enfatizando a questão da qualidade na produção e comercialização da carne de ovinos. Mariana comentou que o Estado todo dispõe de não mais que seis médicos veterinários especializados em ovinocaprinocultura. (JR)

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