Professor deve apurar habilidades de leitura e linguagem.

Encontro de Educação da UNIGRAN trouxe ao debate a leitura e o exercício da produção textual na escola, como bases da formação do leitor crítico.
Linguagem não é feita só por palavras, nem a leitura apenas de textos. Além dos códigos da língua, existem muitas “mensagens” culturais, sociais, psicológicas e ideológicas emaranhadas em um texto. Base do ensino e da aprendizagem escolares, a escrita é um sistema complexo de comunicação humana, difícil de dominar. Esses assuntos foram os temas principais dos trabalhos, oficina e seminários do “V Encontro Multidisciplinar de Educação”, evento realizado na semana passada pela Faculdade de Educação da UNIGRAN, com a finalidade de discutir a importância de certas competências de comunicação na formação do professor reflexivo. OFICINA Uma delas é a sensibilidade para lidar com a diversidade da sala de aula. As diferenças sócio-culturais dos alunos se mostram não somente na linguagem verbal, mas também em outras formas de expressão, como explicou a professora doutora Ana Maria Ramos Sanchez Varella, na oficina “Sala de aula: Encontro com diferentes linguagens”. Para ela, é fundamental entender o aluno, individualmente, para que o professor consiga a empatia necessária ao aprendizado, especialmente, da criança que pode às vezes se sentir excluída, por algum motivo. Ana Maria Varella recomenda, inclusive, que o professor atente para as linguagens não-verbais e desenvolva a “escuta sensível”. Compreender o que alguém tem a dizer por seus gestos e comportamento é dedicar-lhe atenção pessoal. Varella disse que essa é também uma forma de leitura. “Ler é a possibilidade de ler tudo, de abrir os sentidos”, disse a pesquisadora, sobre a leitura reflexiva. Quanto à linguagem escrita, ela chama a atenção para os não-ditos e subentendidos que formam verdadeiros textos paralelos a outros, mesmo sem estarem explícitos. São as expressões do interesse, intenção ou simplesmente do posicionamento político, cultural, moral ou religioso do autor, que precisam ser interpretadas e avaliadas criticamente. SEMINÁRIO O V Encontro Multidisciplinar de Educação da UNIGRAN teve o propósito de chamar a atenção dos professores para sua própria formação como leitores críticos, a fim de poderem orientar melhor os alunos e ajudá-los a tomar gosto pela leitura. Isso é possível, porque à medida que o leitor se torna mais eficiente, ganhando mais conhecimento a cada leitura, sua motivação tende a crescer. A pró-reitora de Terezinha Bazé de Lima, coordenadora do seminário “Leitores para sempre”, caracteriza a leitura como prática social e atividade de questionamento e argumentação. Nessa visão, a tarefa do professor reflexivo é auxiliar o aluno a compreender a realidade social nos diversos contextos da convivência humana. “A leitura cumpre propósitos e finalidades de educação entre os homens, que interagem em sociedades específicas [...] e de formação de sujeitos-leitores, críticos e transformadores de uma realidade social”, disse a professora. Como exemplos a serem “filtrados”, ela adverte sobre preconceitos muitas vezes presentes nas entrelinhas até de textos didáticos. Contudo, identificar a intenção ou o deslize ideológico de um autor requer o domínio de muitas competências. E exercitar com o aluno habilidades de leitura reflexiva é tarefa de professores que também leiam, pesquisem e escrevam, o que não é a regra. Estudantes de pós-graduação da professora Bazé trabalharam essa questão em quatro temas do seminário. Os palestrantes são pedagogos, professores do Ensino Fundamental, em escolas de Campo Grande, e cursam especialização em Educação no Instituto de Ensino Superior da Funlec. O trabalho deles foi baseado em vários autores, com ênfase no livro “Leitores para sempre”, de Pedro Demo (Mediação Editora, 2006). Os temas abordados foram “Leitura e escrita e as tecnologias em sala de aula”, por Adalberto Santos do Nascimento, “Leitura de mundo, leitura crítica e escolarização da cultura”, por Patrícia Machado da Costa Moraes, “Desafios da leitura, alfabetização matemática”, por Elisa Anacleto, e “Leitura e contraleitura”, trabalho de Gilce de Freitas Omenich, que é a técnica responsável pelo Núcleo do Livro Didático da Secretaria de Educação de Campo Grande. COMUNICAÇÕES Também os trabalhos comunicados durante o “V Encontro Multidisciplinar de Educação” da UNIGRAN tiveram como foco a linguagem e a leitura nos processos de ensino e aprendizagem. (confira lista ao final da matéria). No total, foram realizadas dez comunicações de trabalhos recentes, produzidos por professores, que sinalizam para importantes avanços da educação na região de Dourados. O Encontro promovido pela Faculdade de Educação da UNIGRAN foi encerrado no dia 20, com a mesa-redonda “Ação, reflexão: O professor na sociedade contemporânea”, com as professoras Terezinha Bazé, mediadora da mesa, e as palestrantes Maria Helena Bittar, Maria Alice de Miranda e Nilva Heimbach, professoras dos quadros da UFMS, UFGD e UEMS, na mesma ordem. Na terça-feira, 19, a professora convidada, Alda Osório (UFMS), ministrou a palestra “Formação do professor reflexivo nos ID_CURSOs de literatura”, e na abertura, dia 18, o tema tratado pela professora Ana Maria Ramos Sanchez Varella (Universidade Paulista e pesquisadora da PUC/SP), foi “Resiliência, Interdisciplinaridade e Autoconhecimento na Formação do Professor”. Trezentos e sessenta estudantes e professores de Matemática, Letras, Pedagogia e Artes Visuais inscreveram-se e participaram do Encontro. (JR) TRABALHOS COMUNICADOS - “A variação da concordância verbal na fala do homem da região da Grande Dourados”, Franciane de Lima Roncália. - “Perfil do acadêmico da UNIGRAN com relação ao conhecimento de idiomas estrangeiros”, Ana Flávia Mendes Fernandes. - “O processo de alfabetização de crianças hiperativas”, Débora Bispo Kintschev. - “Dificuldades de aprendizagem: abordagem das causas e conseqüências para o processo de ensino-aprendizagem”, Rúbia Juliana Bernardi Pagnussat. - “O trabalho docente na Educação de Jovens e Adultos: um estudo realizado no CEEJA de Dourados/MS”, Elizabete Velter Borges. - “Uma análise do preconceito racial nos anos iniciais do Ensino Fundamental a partir da disciplina de matemática”, Antonia Cáceres. - “A formação de professores pesquisadores”, Terezinha Bazé de Lima. - “A formação pedagógica do professor universitário”, Rogério Jacobsen. - “A docência universitária como atividade profissional do professor de Educação Física”, Jair Amaro. - “Música regional de fronteira: história e reflexões”, Marcos Antonio Borges.

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