Acadêmicos de Biologia debatem impacto sócio-ambiental do setor sucroalcooleiro.

Palestrante Simone Ceccon disse que é necessário avaliar impactos da monocultura da cana, porque qualquer dano ambiental traz prejuízos.
Tecnologia, clima e abundância de terra e água colocam o país em posição privilegiada na corrida por combustíveis renováveis. Com o mercado em ascensão, as discussões sobre os impactos sócio-ambientais com a instalação de usinas sucroalcooleiras têm ganhado amplas discussões. A V jornada de Ciências Biológicas da UNIGRAN trouxe ao debate os impactos causados pelo setor, em específico, na região da Grande Dourados. A preocupação mundial com o meio ambiente e o aumento dos preços internacionais do petróleo abriram uma janela de oportunidades sem precedentes para o Brasil no campo dos combustíveis limpos. A preocupação com os impactos que o setor sucroalcooleiro pode causar ao meio ambiente agrega a temática da Jornada de Biologia “Educar para preservar” como forma de discutir a educação ambiental e as conseqüências causadas pela ação do homem. O assunto foi tratado pela bióloga Simone Ceccon, professora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Experiente na área de biologia e gestão ambiental, com ênfase em estudo interpretativo do ambiente, apontou que, “temos que pensar sobre a questão usinas, pois de uma forma ou de outra, todos serão atingidos pelas conseqüências das atividades do setor”. Uma das preocupações apontada pela bióloga é que no Estado existem projetos para a instalação de 31 usinas, sendo 11 na região da Grande Dourados e três no município. Por ser um país de grande dimensão territorial, o aumento da cultura da cana-de-açúcar torna-se favorável, sobretudo pelo retorno financeiro que o setor garante às usinas e arrendatários que alugam terras para o plantio de cana. “O setor se expandiu devido pesquisas terem apontadas que os combustíveis fósseis irão acabar, mas por trás disso tudo, o interesse financeiro pode ser maior do que o desenvolvimento de tecnologias para novas matrizes energéticas”. Na corrida pela instalação das usinas, a bióloga aponta que uma das preocupações sociais na região de Dourados é de que os indígenas serão os prováveis candidatos à mão-de-obra nos canaviais. “Pesquisas realizadas no país demonstram que a atividade canavieira é árdua e nem sempre o empregador atende a legislação trabalhista”, alertou. Simone Ceccon ainda lembra que a cultura da cana pode devastar a vegetação e ocupar áreas que atualmente são destinadas a produção de grãos. Porém, ainda destaca a legislação municipal de Dourados, pioneira no Estado, que autoriza a queima da palha da cana até 2009, devendo posterior a esse período ser mecanizada. “O meio ambiente não possui barreira geológica; se os municípios do entorno de Dourados não aderir à lei, as conseqüências geradas pela queima da palha serão as mesmas para todos”, explica. Além dos impactos com a queima da palha à saúde da população, a cultura da cana-de-açúcar poderá provocar assoreamento dos rios. A bióloga frisa que o início do plantio da cana, geralmente depois do mês de abril, demanda uma grande irrigação nos canaviais, que é retirada das nascentes dos rios, no entanto, a partir desse período o clima passa a apresentar características de seca, com poucas chuvas. “Se a chuva se torna menos freqüente nesse período, consequentemente as nascentes terão volume reduzido e ao retirar a água, os rios que deságuam nas nascentes também serão comprometidos”, explica, dizendo os centros urbanos correrão riscos de abastecimento de água. O empobrecimento do solo também são conseqüências provocadas pela cultura da cana-de-açúcar. A bióloga diz que como toda monocultura, a retirada dos mesmos micros nutrientes, aliada a aplicação constante dos mesmos defensivos, passa a gerar conflitos à diversidade do solo. Uma das problemáticas acentuadas se baseia na utilização do resíduo da vinhaça, do bagaço da cana, para complementar o adubo. “Se não tiver cálculos precisos, que varia de acordo com cada região, a infiltração desse suplemento poderá atingir os lençóis freáticos”, frisa. Simone Ceccon propõe uma melhor análise sobre as conseqüências que o setor sucroalcooleiro irá trazer para a sociedade, não somente no retorno financeiro, mas principalmente ao meio ambiente, pois todo impacto ambiental tem seqüelas social, e vice-versa. (FV)

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