Seminário acadêmico discute oportunidades para os índios.

Dênes Figueiredo, presidente de associação estudantil, disse que o acesso à universidade representa mudanças históricas nas comunidades indígenas.
O IV Seminário Acadêmico Indígena da UNIGRAN foi aberto, na sexta-feira (18), com mesa-redonda sobre oportunidades para os índios do Estado. O evento foi organizado pela Comissão de Acadêmicos Indígenas, em parceria com a Pró-Reitoria de Ensino e Extensão da Instituição, dentro da proposta de contribuir com a adaptação do estudante índio na universidade, valorizando-se seu modo de ser e capacidade intelectual. “O seminário tem o objetivo de incentivar discussões sobre os avanços da inclusão da população indígena no ensino superior e no mercado de trabalho, e sobre a necessidade de se quebrar preconceitos que ainda estão arraigados nas visões de índios e dos não-índios”, disse a pró-reitora Terezinha Bazé. Ela pontuou a boa convivência e o reconhecimento dos costumes, integridade e sabedoria dos povos indígenas. Debate Os acadêmicos convidaram um representante da Associação Comercial e Empresarial de Dourados (Aced), para trazer o ponto de vista dos empresários sobre os índios no mercado de trabalho. Muitos operários indígenas trabalham em fazendas e agroindústrias, a maioria, no corte de cana, mas quase não ocupam vagas no comércio e outras indústrias do município. Os índios reclamam de preconceito étnico. O empresário César Augusto Scheid, diretor da Aced, disse que o empresariado avalia a questão pelo lado da qualificação. Ele falou que é a capacitação para a função pretendida que determina a contratação de qualquer trabalhador, não apenas de índios. Scheid entende que a comunidade indígena deve aumentar sua representação e reivindicar formação profissional técnica, como as que são oferecidas em ID_CURSOs do Senai e Senac e similares. Na visão dos empresários, é a falta de qualificação o fator de exclusão do índio no mercado de trabalho. “Impedimento ao índio, excluindo-o de forma ativa, eu nunca vi”, disse César Augusto. Ele explicou que os critérios de seleção, baseados em escolarização e capacitação para o emprego, são aplicados a todos, e que os mais qualificados são escolhidos, sem levar em conta a origem étnica. “Talvez, mecanismos devam ser criados (e) a sugestão seria a criação de ID_CURSOs de profissionalização”. Em relação à formação, a comunidade indígena de Dourados avalia que sua história está mudando, desde a abertura do acesso à universidade, que muitos entendem como “o reconhecimento de suas capacidades, autonomia e diferenças culturais e lingüísticas”. Para o estudante kadwéo Arlindo Dias da Silva Marcelino, do ID_CURSO de Enfermagem, é um privilégio estar na universidade. Mas ele diz também que essa oportunidade precisa ser garantida por uma política que dê condições de o acadêmico indígena terminar seu ID_CURSO. “Largar nossos costumes, para vir para outro mundo, para nós é uma barreira muito grande”, disse Arlindo. Ele tem como referências estudantes que foram até o fim, tornando-se professores, bacharéis em Direito e profissionais de saúde. “São indígenas que passaram pela UNIGRAN e hoje estão aí, com seu diploma na mão; para nós, isso é um grande orgulho”, falou. A mesa redonda do seminário “Vencendo barreiras, quebrando preconceitos” foi mediada por Fernando de Souza, índio terena formado em administração de agronegócios na UNIGRAN, e contou com as participações da secretária de extensão, Jacobsen Carvalho, e do presidente da Comissão de Acadêmicos Indígenas da UNIGRAN, Dênes Silva Figueiredo. O evento foi prestigiado ainda pela pró-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da UEMS, professora Beatriz dos Santos Landa, e pela arquiteta Lílian Brandão, diretora da OSCIP Amigo do Índio. Na abertura deste ano, o momento cultural foi organizado por um grupo de estudantes indígenas da Instituição, cuja apresentação reuniu tradições das três etnias de Dourados. “A dança representa a vida, para nós, e a gente está se alegrando pelo fato de nós, indígenas, estarmos na universidade, isso é motivo de alegria”, disse o acadêmico guarani Isabelino Alves, de Enfermagem. (JR)

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