Professora convidada faz análise literária do filme “Narradores de Javé”.

Profª. Áurea Rita orientou a análise dos elementos orais e de toda a semiótica do filme, na conclusão da aula iniciada no dia 04.
Os bons filmes de cinema e de TV têm hoje status de obras literárias. “Os Narradores de Javé”, produção nacional de 2003, dirigida por Eliane Caffé, é uma dessas obras de arte que se destacam pela sensibilidade, qualidade de fotografia e por um enredo que faz refletir, a exemplo de um bom livro. Na terça-feira, 15, a professora Áurea Rita de Ávila Ferreira, da UFGD, realizou a segunda parte da aula magna de Letras, Pedagogia e Artes Visuais da UNIGRAN, iniciada no dia 4. Foi a primeira vez que uma aula magna se dividiu em duas partes. A coordenadora de Letras, Nara Sgarbi, comentou que a metodologia escolhida pela palestrante foi bastante adequada - “os alunos assistiram ao filme e, em um segundo momento, puderam fazer as reflexões, seguidas pela orientação da professora”. Ela disse também que foram plenamente alcançados os objetivos de discutir sobre narrativas orais e alguns pontos de semiótica, por meio da análise fílmica. “Por termos acadêmicos de ID_CURSOs de licenciatura, a oralidade deve ser observada para que possam desenvolver suas atividades docentes, até mesmo, porque os PCNs deixam clara a importância que a oralidade assume, tanto para a lingüística quanto para as literaturas”, avaliou a coordenadora. Na palestra “Oralidade e Literatura – vozes que se encontram”, a professora Áurea Rita tratou das características das histórias contadas pelo povo simples do Brasil, em suas narrativas cheias de poesia, regionalismos, humor e engrandecimento de suas origens. Parte da análise foi direcionada à escrita e à literatura, que são sempre questionadas quanto à mimese. “O escritor reapresenta a realidade, construindo o texto ficcional, [mas] como se estabelece a relação entre a ficção e a realidade?”, indaga. O filme “Os Narradores de Javé” fala de um povoado que se formou do êxodo de sertanejos que, escapando de inimigos e da vida dura em outra região, encontram terras bem-servidas de água e ali erguem um vilarejo. Levam a vida de forma pacata, até que, vêem-se ameaçados pela formação do lago de uma hidrelétrica. Tudo será inundado – cemitério, casas, igreja, os comércios e a saga de seus moradores, que sequer têm registros de suas propriedade e, por isso, nem mesmo serão indenizados. Sem saberem o que fazer, alguém tem a idéia de registrar em livro a história do povo, na esperança de sensibilizar os construtores a desistirem do projeto, tendo em mãos apenas seu patrimônio imaterial – memórias que representam a razão de viver e a identidade do povo do lugar. Porém, apenas uma pessoa de Javé sabia ler e escrever. Antônio Biá (José Dumont), o carteiro da cidade, um ID_TIPO anti-herói, é encarregado da tarefa de ouvir e registrar os depoimentos da população, e fazer delas um “documento científico”. Daí em diante, instala-se uma confusão, causada pelas diferentes versões da mesma história e pela impossibilidade de se repassá-las para o papel integralmente, tal como foram narradas. Para Biá, o jeito é recontar as narrativas inventando cenas, ordenando e “floreando” os fatos, com o que as pessoas não concordam. O enredo se desenvolve em diálogos, por vezes cômicos, por vezes reflexivos. Por fim, Biá não consegue escrever a história encomendada pela população é execrado pelo grupo. Nas cenas finais, o lago submerge o vilarejo de Javé. Por trás dos argumentos, ressalta a ingenuidade dos moradores em pensar que poderiam frear a construção da barragem com o pretendido registro de suas história e cultura. Mas o escritor pondera e defende-se, dizendo que nada daquilo iria dar resultado frente ao capital e ao poder que decretaram o fim da cidade. “Ele tem essa consciência porque é uma pessoa alfabetizada, escolarizada”, falou a palestrante. A professora Áurea Rita comenta que o filme é uma verdadeira aula de teoria literária e de narrativa visual. Metáforas feitas por imagens dão relevância a temas típicos da literatura oral, como a religiosidade e valores do povo. Para ela, os “Narradores de Javé” deixam a mensagem de o quanto é importante o domínio da escrita nas sociedades contemporâneas. “A escrita pode libertar, e pode submeter”, falou. A Coordenação de Letras informou que o planejamento deste ano prevê atividades complementares a cada bimestre, com a proposta de consorciar novos saberes e a prática em cada área docente. (JR)

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