Inovação científica é base do crescimento econômico sustentável.

Pesquisador da Embrapa Rômulo Penna abriu o Seminário de Iniciação Científica na UNIGRAN, nesta segunda-feira.
A ciência forma um círculo virtuoso com o desenvolvimento. O agrônomo Rômulo Penna Scorsa Junior, doutor em Ciências Ambientais e pesquisador da Embrapa-CPAO, falou da importância estratégica da pesquisa científica e da inovação tecnológica para o país, na palestra de abertura do “III Seminário de Iniciação Científica”, da UNIGRAN, ontem (24). Neste ano, a novidade do evento é o Prêmio “Jovem Pesquisador”, que valoriza os trabalhos mais originais de iniciação científica, de autoria dos acadêmicos da Instituição. Na palestra “Pesquisa na atualidade: desafios e conquistas”, Rômulo Penna trouxe informações sobre fomento à pesquisa e números sobre os investimentos do Brasil em ciência. Ele enfatizou que a inovação científica e tecnológica é estratégica para o crescimento de um país, na economia globalizada e baseada no conhecimento. Nesse ponto, as empresas nacionais estariam em desvantagem, segundo o palestrante. “Para uma empresa produzir inovação, ela tem que ter um departamento de pesquisa”, disse. Scorza explicou que o desenvolvimento industrial, no Brasil, esteve totalmente desconectado das políticas de Ciência e Tecnologia. O quadro de alocação de pesquisadores nos setores público e privado mostra isso. Na Alemanha, por exemplo, quase 70% dos cientistas trabalham para empresas do setor privado, e os restantes nas universidades, cerca de 17%, e no governo, 16%. No Brasil, 71% dos pesquisadores estão nas universidades e pouco mais de 20% atuam no setor privado. Um quadro parece justificar o outro. Rômulo Scorza mostrou que apenas 12,8% das exportações brasileiras são de produtos que agregam tecnologia em “alta intensidade”. Na União Européia, Japão e nos Estados Unidos, os produtos feitos com alta tecnologia e, por isso mesmo, de maior valor agregado, representam 30,6%, 31,6% e 37,6% de suas exportações, respectivamente. As diferenças ficam ainda mais evidentes quando se incluem as mercadorias de “média intensidade” tecnológica na comparação – na mesma ordem de nações: 62,8%, 77,1% e 67% das exportações de cada país – com os produtos nacionais – 33,5%. Os dados, que são de 2005, também mostram que 59,7% das exportações brasileiras correspondem aos produtos primários, ou manufaturados com trabalho intensivo e de “baixa intensidade” tecnológica. Sobre outra estatística, Scorza mostrou que o governo investe em ciência e tecnologia somente 0,54% do PIB (Produto Interno Bruto) de 1 trilhão de dólares. A Suécia, segundo maior investidor mundial em pesquisa científica, aplica 0,9% de seu PIB na área científica, enquanto que Israel é o país que mais investe em pesquisa – cerca de 1,2% do PIB. Já os Estados Unidos aplicam em torno 0,8% do PIB no desenvolvimento científico. Contudo, o seu PIB é treze vezes maior que o do Brasil. Levando-se em conta a forte concorrência com países mais bem-estruturados para fazer pesquisa, Rômulo Scorza foi questionado se ainda é possível inovar e como se inserir entre os grandes. “A inovação é estratégica porque a ela via gerar desenvolvimento econômico; e desenvolvimento econômico está aliado à qualidade de vida, e como inovar? O que precisamos é ter pessoas bem formadas, capacitadas, para que a gente tenha um capital intelectual para fazer inovação tecnológica, sempre há espaço para a inovação”, disse o convidado. Para ele, desenvolvimento deve ser acompanhado da correspondente melhoria na qualidade de vida da população – água limpa, qualidade ambiental, alimentos seguros, saúde e educação, segurança e lazer – como detalhou no evento. (JR)

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