Identidade se forma e se mostra na linguagem, diz professor.

Professor Rajagopalan falou sobre a formação em língua e literatura, segundo a teoria crítica da linguagem, na Semana de Letras da UNIGRAN.
A língua não é simplesmente meio de comunicação. O professor Kanavillil Rajagopalan, doutor em lingüística aplicada e pós-doutor em filosofia da linguagem, diz que é no uso da língua que as pessoas se moldam. “A linguagem é o palco onde construímos nossa identidade”, falou o docente da Universidade de Campinas (Unicamp), na palestra de encerramento da 12ª Semana de Letras da UNIGRAN, quinta-feira (6). A referência à formação de identidades é um argumento contra a idéia de que os estudos de língua e literatura resumem-se às questões gramaticais e estéticas. Segundo o palestrante, esse pensamento equivocado é corrente não só no Brasil, mas no mundo todo. Isso porque, em geral, as pessoas não se atentam para a relação intrínseca entre língua, cultura e interação social. Nascido na Índia, Rajagopalan morou e estudou na Inglaterra e nos Estados Unidos, e vive no Brasil há vários anos. È autor de quatro livros e mais de 250 artigos científicos, que tratam de assuntos da teoria crítica da linguagem, lingüística e ensino da língua materna e do inglês, como segunda língua. Ele explica que é nas sociedades multi-lingües que bem se notam a influência da linguagem nas atitudes individuais. Como exemplo próximo, ele cita a informação de que o índio não mente, senão quando conversa em português. Rajagopalan comentou os preconceitos em torno dos sotaques, as relações de poder que estabelecem pela linguagem e o comportamento de estrangeiros, para observar diferentes formas interação social de uma mesma pessoa, quando usa a própria língua ou outra. Para o convidado, conhecendo-se os mecanismos de formação de identidade pela língua, é possível superar a teoria tradicional, que dão uma aparência de perfeição à linguagem, por meio de regras, e ajudar a consolidar atitudes de respeito às diferentes alteridades existentes em uma sociedade. Por esse motivo, Rajagopalan defende a inclusão da lingüística crítica na formação do professor de línguas. “A teoria crítica enxerga as injustiças e as iniqüidades, e se você [público] enxerga essas coisas, você diz: é preciso fazer alguma coisa”, ponderou. Noite cultural O encerramento da XII Semana Acadêmica de Letras da UNIGRAN contou com a participação de alunos do ensino médio da Escola Estadual “Fernando Corrêa da Costa”, da cidade de Rio Brilhante. Sob orientação do professor Denilson Alher, o grupo encenou esquetes musicadas baseadas em poemas, do livro “Delírio Guaicuru”. A noite foi também de lançamento do livro “Eu odeio o Orkut”, de Evandro Berlési. (JR)

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