ESPECIAL: Acadêmicos da UNIGRAN "vivenciam" a Marcha da Retirada da Laguna.

Estudantes assistiram às palestras e encenações de batalhas, em sítios históricos, promovidas pelo Exército, no último final de semana.
Incursão por uma epopéia acontecida em terras sul-mato-grossenses. Junto com outros universitários de Dourados e Campo Grande, quarenta acadêmicos da UNIGRAN integraram a “V Marcha Cívico-Cultural da Retirada da Laguna”, no final da semana passada. Cerca de quatrocentas pessoas participaram da marcha, que é promovida pelo Comando da Brigada Guaicurus, de Dourados, desde 1999, com a proposta de fortalecer o sentimento cívico e conservar a memória de um dos episódios mais notáveis da Guerra da Tríplice Aliança. O passeio pelo trajeto é orientado por militares do 10º Regimento de Cavalaria “Antônio João”, de Bela Vista, e da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizado, de Jardim. Neste ano, a maior parte dos quase 140 quilômetros do perID_CURSO foi percorrida de ônibus e caminhão. Assim como nos alojamentos, o Exército montou toda uma infra-estrutura de apoio aos visitantes, em todos os marcos que lembram as passagens dramáticas da Retirada da Laguna. Em cada local, palestrantes especializados trataram de particularidades do episódio. Eles falaram de temas que situam a marcha na história da maior guerra havida na América do Sul. A presença feminina nas fileiras de soldados, da incidência de cólera – doença infecciosa contraída ainda no Paraguai e que vitimou dezenas de homens – falta de alimentos, estratégias de ataque, defesa e de movimentação das tropas, estresse de batalha, bem como debates sobre as condições geográficas e fatos políticos deram informações importantes para o visitante compreender o episódio. “É uma busca pelo conhecimento histórico que o estudante deve ter sobre esse evento que, na verdade, não deveria ter acontecido de maneira nenhuma”, disse o general-de-brigada Roberto Fantoni Saurin. Em entrevista concedida na cidade paraguaia de Bela Vista Norte, o comandante da Brigada Guaicurus afirmou que a marcha “Retirada da Laguna” não tem qualquer intenção ideológica, somente o objetivo de fortalecer o civismo nos jovens e enaltecer a memória de brasileiros que deram a vida pela pátria. Saurin ressaltou que, hoje, o exército do Paraguai é um exército amigo e que ambas as nações devem manter a memória desse episódio, mas com a finalidade de se manter a paz. “Os marcos [da Retirada da Laguna] devem ser marcos da paz”, falou. PASSEIO CULTURAL – A excursão de quase três dias ficará na memória dos estudantes da UNIGRAN. Os visitantes foram muito bem recebidos pelo tenente-coronel Nilton Gonçalves Rezende, comandante do Regimento Antônio João, na sexta-feira. No sábado e no domingo de manhã, durante as formaturas cívico-militares, ele desejou que todos pudessem conhecer e divulgar as experiências vivenciadas, como forma de reverenciar a memória de verdadeiros heróis. No dia da partida para Jardim, ele declarou que, “sob a farda, em cada militar, há um cidadão, oriundo de famílias que tudo fazem pela grandeza do nosso país”. A fala foi feita em retribuição às palavras da estudante de Jornalismo Karina Vilas Boas. Em nome dos acadêmicos da UNIGRAN, ela agradeceu à oportunidade que tiveram. “O evento foi emocionante e muito proveitoso, em sua totalidade; volto mais consciente da visão do Exército sobre a guerra entre Brasil e Paraguai e do sofrimento e das mudanças que um acontecimento como esse traz a todos os envolvidos”, disse Karina. Ela destacou também a dedicação dos militares no atendimento aos visitantes, e os exemplos de pontualidade, responsabilidade e respeito que marcam as relações no quartel. A “V Marcha da Retirada da Laguna” passou pelos sítios históricos da Fazenda Laguna, da Travessia do Rio Apa e do combate de Nhandipá, da Travessia do Córrego Machorra, do Cambaracê, na Fazenda Mimoso, em Jardim, do Cemitério dos Heróis e terminou na Travessia do Rio Miranda, até a fazenda que pertenceu ao “Guia Lopes da Laguna”. Em termos de potencial econômico, para a exploração do turismo cultural, a trilha é considerada muito promissora para o Estado, na avaliação da presidente do IPHAN/MS (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Maria Margareth Escobar. “Acho que também estamos fazendo história, nesse passeio”, disse Margareth. Durante toda a Marcha, acadêmicos dos ID_CURSOs de Jornalismo e Publicidade e Marketing da UNIGRAN fizeram um trabalho fotográfico que será exposto em breve. A direção de fotografia e a organização da mostra são da professora Érika Batista. HISTÓRIA PELO CAMINHO - Apesar de sua importância para a consolidação territorial e à formação da identidade cultural do Estado, poucos conhecem o sacrifício a que se submeteram os soldados brasileiros, no recuo que tiveram de fazer, em 1867, a partir da região onde hoje se situa a cidade de Bela Vista Norte até o Rio Miranda, em Jardim. Durante 35 dias, mais de mil brasileiros deixaram suas vidas ao longo do caminho que foi retraçado pelo Exército. A história é contada pelo Visconde de Taunay em uma obra considerada – pela crítica francesa – um épico comparável aos grandes da literatura mundial. Alfredo Taunay (1843-1889) participou da Retirada da Laguna como segundo-tenente de artilharia do Exército Imperial Brasileiro. Já na visão de estudiosos paraguaios, o mesmo evento é tido como um episódio menor, “descrito em dez linhas”, segundo disse o historiador Hildebrando Campestrini, professor da UFMS e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. O professor Hildebrando e o também historiador Krugeerson Mattos, capitão do Exército, que serve no Regimento “Antônio João”, são dois dos pesquisadores mais empenhados no resgate das passagens da Retirada da Laguna. “Sem história, não temos as artes, a poesia, a literatura e, provavelmente, sem eles [os heróis da Retirada] nem estivéssemos aqui”, falou o professor, na palestra que fez aos visitantes, em Bela Vista, sobre a resistência dos brasileiros frente aos opositores. Para o capitão Mattos, que tem por base documentos da época e depoimentos tomados de pessoas idosas que moram ou já viveram na região do conflito, as personagens dessa resistência – que foi uma resposta à invasão do Paraguai à província de Mato Grosso, dois anos antes – não têm sido lembradas com a devida reverência. São nomes como os de Pedro José Rufino, Antônio João, José Francisco Lopes, Ana de Almeida, Carlos Camisão, entre outros que lideraram 1.680 soldados da Força Expedicionária de Mato Grosso, até a Fazenda Laguna. Após serem emboscados naquela região e franca minoria, não tiveram escolha a não ser recuar. Sem o apoio logístico que ficara em Nioaque e com muitos soldados contaminados pela cólera, as tropas enfrentaram bravamente os paraguaios, que ateavam fogo na mata como principal estratégia para enfraquecer os adversários. O maior combate se deu em Bela Vista, a 11 de maio de 1867. Na batalha de Nhandipá, morreram mais de 230 dos três mil combatentes de ambos os exércitos. Nessa batalha, morreram 184 paraguaios, mas as tropas brasileiras tiveram sérias perdas materiais – de gado e outros víveres – que se agravaram com a cólera, que se tornou epidêmica entre os soldados. Ainda assim, os comandantes prosseguiram a marcha sem deixar para trás os doentes, até o ponto em que não pôde mais levá-los consigo. No sítio histórico Cambaracê, onde 130 doentes precisaram ser deixados à própria sorte, essa história é revivida em encenações que emocionam e fazem refletir acerca da irracionalidade de qualquer guerra (JR).

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