UNIGRAN apresenta propostas à carta-documento do "Cidade Educadora".

Promovendo palestra com Pedro Demo, UNIGRAN deu importante contribuição ao Congresso Dourados Cidade-Educação, encerrado ontem.
A pró-reitora de Ensino e Extensão da UNIGRAN, Terezinha Bazé de Lima, entregou ao Comitê Gestor do 1º Congresso “Dourados – Cidade Educadora”, nesta sexta-feira, documento contendo as propostas da Instituição para a Carta Documento do evento, que será divulgada à população na terça-feira (19). As sugestões da UNIGRAN foram discutidas em reunião na quarta-feira, entre professores da Instituição, com o objetivo consolidar a educação como fator de sustentação do desenvolvimento sócio-econômico de Dourados. Como contribuição ao Congresso, a UNIGRAN promoveu uma conferência que teve, como palestrante e debatedor, o sociólogo Pedro Demo, professor pós-doutor, na Universidade de Brasília, e autor de 75 livros sobre educação e cidadania. Na mediação dos debates “Educação, Direito e Cidadania”, estiveram as professoras Terezinha Bazé e Noemi Ferrigolo, diretora da Faculdade de Educação da UNIGRAN. A conferência, a segunda da programação do Congresso, foi aberta pela professora Rosa Maria D’Amato De Déa, reitora da Instituição. Ressaltando a importância da educação e do conhecimento, como suportes do desenvolvimento sustentado, tema do Congresso, ela parabenizou a Comissão Gestora do evento, falando da importância do trabalho conjunto, entre as universidades, poder público e os diversos segmentos da sociedade para a transformação de Dourados em cidade educadora. O projeto é inspirado em experiências de outras cidades brasileiras, mas leva em conta as características próprias da região. A reitora elogiou, ainda, a participação dos professores, que lotaram a Teatro Municipal para ouvir e conversar com o convidado. Com a presença de Pedro Demo, os educadores do município tiveram a oportunidade de dialogar com um pensador que expressa suas idéias com uma franqueza, às vezes, cortante. Por exemplo, para ele, com raras exceções, “a escola pública, hoje, é coisa pobre para pobre” e a “pobreza política faz as pessoas negarem os próprios direitos”. Há quem critique a maneira com que aponta as questões, mas para cada frase de efeito, Demo faz da realidade argumento muito convincente. Apoiado em índices do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), de 1995 a 2003, que retratam a proficiência de estudantes das 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio, em língua portuguesa e matemática, o palestrante mostrou números bastante negativos das escolas públicas. “Vinte por cento dos alunos que estão na 4ª série não sabem nada; no nordeste, são 33% - e é de se perguntar, como a gente passa quatro anos na escola e não consegue saber nada, como é que é isso?”, questiona o Pedro Demo, dizendo que é dramática a situação da educação pública e que é preciso enfrentar o problema de frente. E um dos problemas principais, para ele, está no que chama de “velharias” – idéias e práticas ultrapassadas de educação. “A população não está aprendendo em nossas escolas e, mais do que isso, a cada ano, aprende um pouco menos; a aprendizagem é baixíssima e acaba a escola pública sendo uma coisa pobre para o pobre, também cheia de teorias pobres”, falou o palestrante. Pedro Demo, que faz severas críticas também aos programas assistencialistas de ajuda aos pobres, insiste na valorização do professor e na melhoria das condições de ensino, particularmente, na escola pública de nível fundamental. Para ele, o acesso à educação formativa de qualidade é o meio de se eliminar o que chama de “pobreza política”, que é a incapacidade das pessoas de se governarem a si próprias e de controlar seus governantes. “Uma das faces mais importantes da pobreza política é a negação do direito, a idéia de que muita gente não teria direitos e se nega ao próprio gesto de solicitar os direitos que, na verdade, deveriam estar presentes, por si só, pela nossa condição humana e nada mais”, falou Pedro Demo. O palestrante concedeu entrevista que será publicada no próximo número da revista eletrônica da UNIGRAN “InterLetras”. (JR)

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