Professor aponta disparidades nos custos de produção rural no Brasil e no exterior.

Em palestra a produtores de Dourados e região, na Expoagro, prof. Domingos Venturini estuda a alta dos preços dos insumos agrícolas de 2000 para cá.
No Brasil, produzir soja, por exemplo, chega a ser 800% mais caro do que no Paraguai. No caso do milho, as disparidades de custos explicam porque o cereal importado da Argentina custa menos do que os agricultores daqui gastam para produzi-lo. O professor Domingos Venturini, coordenador do ID_CURSO de Ciências Contábeis da UNIGRAN, chegou a essa e outras conclusões por meio de uma pesquisa de custos agropecuários baseada em documentos fiscais de produtores e nos preços dos insumos praticados nos paises vizinhos. O estudo está ganhando repercussão nacional e já foi solicitado pela Gerência de Agronegócios do Banco do Brasil, em Brasília. A pesquisa foi também encaminhada à Comissão de Agricultura da Câmara Federal, pelo deputado Murilo Zauith, que cobra a criação de uma política de real incentivo ao produtor brasileiro. Em sua pesquisa, Domingos Venturini fez a conversão das notas fiscais de real para dólar, e mediu a evolução dos preços de inseticidas, herbicidas, fungicidas e fertilizantes, no Brasil e no Paraguai, assim como as cotações de mercado da soja e do milho, nos anos de 2000 a 2004. “Os custos são maiores que os preços de venda. Hoje, gasta-se o equivalente a 49 sacas de soja para plantar um hectare [no Brasil], sendo que, ao câmbio atual, os insumos deveriam estar em torno de 60% mais baratos em dólar, até porque os preços da soja estão normais, em torno de 10,5 a 11 dólares”, afirma o pesquisador. Venturini destaca que as cotações das commodities (produtos agropecuários primários) são formadas no mercado. Já os preços dos insumos são determinados pelos fornecedores, que em muitos casos são também os principais compradores das colheitas. Nesse contexto, pequenos, médios e grandes produtores rurais brasileiros perderam quase todo seu poder de barganha. Eles ainda são mais penalizados com alto custo do dinheiro para financiamentos agrícolas e por uma pesada carga tributária. Uma proposta para recuperar a margem de lucros nas atividades agrícolas feita pelo professor Venturini, e já aceita pelos agricultores de Dourados e região, seria a importação direta de insumos genéricos para as lavouras, que são muito mais baratos que os similares nacionais. “O Brasil cria dificuldades para o agricultor e para as empresas comprarem insumos lá fora insumos a preços competitivos e isso acaba elevando os preços internos e criando condições favoráveis para algumas empresas”, analisa o professor. O ideal, na opinião de Domingos Venturini, é a criação de uma política agrícola e de instrumentos de regulação do mercado. “Até agora, as pessoas estavam questionando muito o preço de venda do produto e hoje vemos que os problemas do produtor estão nos custos e na falta de apoio por parte do governo. O agricultor está praticamente abandonado, enquanto os juros apregoados pelo governo são de 8,75% ao ano, ele só consegue reID_CURSOs a 15%, 20%. Tudo isso impacta diretamente no custo”, analisa. A crise atual na cultura da soja, especificamente, conforme explicou o entrevistado, decorre de uma situação atípica de mercado que houve dois anos atrás, quando os preços internacionais saltaram da faixa dos US$ 10 e US$ 11 para US$ 17 a saca. A alta coincidiu com um período de forte desvalorização do real frente ao dólar. Na mesma época, houve a securitização e a renegociações de dívidas dos produtores junto aos bancos oficiais – que hoje é novamente reivindicado. O resultado foi o aumento das esperanças dos agricultores, que investiram mais nas lavouras. Em razão da maior demanda por insumos e bens de produção, e de olho na lucratividade dos produtores, os fabricantes elevaram seus preços. Contudo, as cotações da soja voltaram ao patamar histórico, a cotação do dólar caiu, mas os insumos permaneceram caros. “Enquanto foi interessante manter a elevação com base no preço do dólar, de 2001 a 2003, a indústria fornecedora usou o dólar para justificar os aumentos. De 2003 para cá, ela usa a teoria de mercado, que é a lei de oferta e procura para manter a alta nos preços. Isso acabou levando o agricultor a uma situação caótica, que mesmo que ele produza muito bem, não conseguirá pagar os custos”, entende Venturini. Para ele, não adianta fixar preços mínimos para a produção se o governo não tem orçamento para pagar o respectivo subsídio. Mas o governo pode colaborar para reduzir o custo de produção, diminuindo os impostos num setor em que, contraditoriamente, um trator de 120 cv custa o dobro de uma camionete de mesma potência.

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