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16/11/2017 - 08:25
Pesquisadora fala sobre o potencial da psicologia organizacional
Aplicação correta desta ciência pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma empresa

O tema ainda é pouco discutido e disseminado entre os empresários, mas os estudos e experiências no âmbito da psicologia organizacional já provaram que o estado psicológico dos empregados pode ser a diferença entre o sucesso e fracasso de uma empresa. Durante a V Conferência de Psicologia Organizacional e do Trabalho, promovida pelo curso de Psicologia da UNIGRAN, acadêmicos e profissionais da área tiveram a oportunidade de aprender e interagir com a pesquisadora que é referência na área, Prof.ª Dr.ª Thaís Zerbini.

Conforme a palestrante, muitas empresas hoje possuem uma cultura organizacional engessada e de certa forma cega, pois normalmente não possuem a capacidade de enxergar o potencial dos seus empregados. Ela explica que o maior desafio neste ramo da psicologia é fazer com que as pessoas consigam, de fato, aplicar no trabalho aquilo que sabem. Thaís conta que muitas vezes os empregadores investem em capacitação, porém é algo que se torna inócuo na maioria dos casos, já que não se cria ou não se deixa criar o ambiente necessário para que este novo conhecimento seja traduzido em novas e melhores maneiras de conduzir as demandas laborais.

A especialista destaca a importância e o vasto leque de oportunidades que este segmento proporciona aos psicólogos, tendo em vista que este profissional pode ser o balizador dos interesses de empresas e empregados, de forma a minimizar ao máximo os ônus a saúde mental e física dos colaboradores. Funcionários trabalhando em um ambiente isento de hostilidades e tensões psicológicas produzem mais e melhor, o que consequentemente irá acarretar melhores resultados financeiros para as empresas, contudo, muitos dirigentes ainda não se atentaram para isso.

Colher sem plantar

Thaís revela que as empresas brasileiras possuem anseios utópicos ao cobrarem resultados imediatos a qualquer custo, porém, fazem isso sem que haja o investimento necessário, o que podemos metaforizar ao dizer que almejam colher sem ter plantado. “As empresas não compreendem o motivo pelo qual os empregados estão descomprometidos e desmotivados, mas não veem que a falta de compromisso e comprometimento é apenas a consequência de uma cultura organizacional que sufoca e não propicia mecanismos para que estas duas características se manifestem”, complementou.

A Psicologia Organizacional e do Trabalho – POT, trabalha essencialmente com três pilares, que são: Identificação de necessidades; Oferta de capacitação e Avaliação. No primeiro, como o próprio nome faz sugerir, é preciso detectar quais são os entraves, os obstáculos para que o empregado encontre o caminho da satisfação dentro do ambiente de trabalho. Após detectados os problemas, o empregador deve oferecer o “antídoto”, que pode ser, por exemplo, cursos de capacitação. No terceiro e não menos importante passo, é aferido se o novo conhecimento foi transferido para as dinâmicas do trabalho, aprimorando-as. Caso a transferência não tenha ocorrido a avaliação irá mostrar os motivos que levaram a esse impedimento, que pode ter causas variadas como a falta de incentivo dos gestores, colegas de trabalho que minam o entusiasmo alheio, entre outros fatores.

Bem humorada, a palestrante deu vários exemplos cotidianos que facilitaram a compreensão de todos. E para aqueles que desejam buscar mais conhecimento nessa área, ela sugeriu algumas obras que formam a espinha dorsal da teoria da psicologia organizacional, sendo eles: Medidas de Avaliação em Treinamento, Desenvolvimento e Educação: Ferramentas para gestão de pessoas (com co-autoria da mesma); Treinamento, Desenvolvimento e Educação em Organizações e Trabalho; Manual de Treinamento Organizacional (também com co-autoria da pesquisadora) e O Trabalho e as Organizações: Atuações a partir da Psicologia.

Ticiana Araújo, coordenadora do curso de Psicologia, reforça que a UNIGRAN mais uma vez coloca luz sobre este tema ao realizar mais uma edição da Conferência de Psicologia Organizacional e do Trabalho. "Este é um tema novo, mas que a cada dia ganha mais espaço nas discussões sobre saúde e educação no ambiente de trabalho. As empresas precisam tirar este assunto das sombras, pois o bem estar do empregado tem ligação direta com o resultado financeiro da empresa", complementou.

A palestrante, Thaís Zerbini, é formada em psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, mestre e doutora pela Universidade de Brasília – UnB, professora associada da Universidade de São Paulo – USP, da qual também faz parte da programa de pós-graduação. Além disso, é editora chefe da Revista Psicologia Organizações e Trabalho – RPOT, única publicação do país especializada neste tema. Antes da docência também prestou consultoria para diversas empresas, como Banco Central, Confederação Nacional da Indústria – CNI, Banco do Brasil, entre outras.

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