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10/11/2017 - 08:33
Inclusão social e educação especial são temas de palestra na UNIGRAN
Pesquisador mostrou a evolução do tema desde a antiguidade até os dias atuais

Apesar dos progressos assistidos nos últimos anos, a tão falada inclusão social ainda precisa prosperar muito em diversos setores, especialmente no educacional. Para tratar do tema, a UNIGRAN convidou o Dr. Giovani Ferreira Bezerra, que palestrou para os acadêmicos de Pedagogia e Artes Visuais durante o XIV Encontro Multidisciplinar de Educação. Também participaram do evento profissionais da área e demais interessados no assunto.

Bezerra explanou o tema de forma histórica e cronológica, mostrando como a questão era tratada desde a Grécia antiga até chegar nos dias de hoje. Neste período inicial, na antiguidade, as pessoas com qualquer espécie de necessidade especial, seja física ou intelectual, eram naturalmente abandonadas à própria sorte ou então sacrificadas, atos que apesar de indiscutivelmente cruéis aos olhos contemporâneos, à época eram triviais.

Também delimitou e exemplificou diversos termos que comumente são lidos e ouvidos quando a discussão é inclusão social. Assim, entende-se que em um passado distante vivia-se sobre a égide da ′′exclusão′′, na qual as pessoas que não atendessem aos critérios de normalidade estabelecidos, eram simplesmente excluídos da sociedade em todos os aspectos. Posteriormente passamos a viver a ′′segregação′′, cuja única diferença para a definição anterior é que nesta foi criada uma espécie de sociedade dos excluídos, algo como um "vale dos leprosos".

Todos os avanços neste âmbito são lentos e após alguns séculos passou a vigorar a ′′integração′′, esta que muitos de nós imaginamos se tratar da etapa final ou então que representou um grande salto, mas na verdade não passou de mais um pequeno passo rumo a dignificação dos portadores de necessidades especiais. Traduzindo de forma mais clara, por muitos anos vimos o conceito sendo aplicado nas chamadas ′′classes especiais′′, que encontrávamos em praticamente todas as escolas, onde alunos com limitações físicas e intelectuais eram amontoados e submetidos a atividades "pedagógicas" que proporcionavam pouca ou nenhuma melhoria. Ou seja, eles estavam dentro da esfera da sociedade dita como normal, porém, dentro de uma redoma menor ou uma espécie de campo de força, que ainda mantinha o "apartheid" vivo. Eles eram vistos, todos os dias, mas salvo exceções não havia interação com os demais.

Por último chegamos ao período que vivemos hoje, o da ′′inclusão′′, cujo conceito prega que todos os seres humanos, independente de condições físicas; intelectuais; culturais; étnicas ou econômicas, convivam de forma harmônica e sinérgica em todos os ambientes, como escolas, trabalho, locais de entretenimento, entre outros. Mas como se sabe esta etapa ainda está em fase embrionária, chegando até soar utópica para alguns. Contudo, pequenos e preciosos passos já foram dados, mas fazendo uma alusão a música ′′Ninguém=Ninguém′′ dos Engenheiros do Hawaii, ainda resta um longo e árduo caminho até que todos realmente sejam iguais, sem que uns sejam mais iguais que outros.

O palestrante é um dos maiores estudiosos do tema no estado, é graduado em pedagogia, especialista em gestão escolar e projetos educacionais, além de mestre e doutor na área de educação. É professor na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e foca seu trabalho principalmente em pesquisas que visam o desenvolvimento linguístico-cognitivo de crianças com deficiência intelectual. Também é líder do grupo de Pesquisas sobre Educação, Desenvolvimento Humano e Inclusão, sediado na UFMS em parceria com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

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