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09/10/2002 - 13:18
Artigo: A urna dos excluídos.
* Dad Squarisi Antes, falava-se em analfabeto. A pessoa que não sabe ler nem escrever recebe esse rótulo. Depois, o conceito ampliou-se. Surgiu o analfabeto funcional. Meninos e meninas freqüentam a escola, passam de ano, recebem diploma. Mas não conseguem interpretar um texto ou escrever um recado. Agora, impera nova modalidade. Trata-se do analfabeto digital. É a criatura que muitas vezes sabe ler e escrever. Mas falta-lhe familiaridade com o mundo da informática. Diante do computador, treme como vara verde. É incapaz de acessar a internet e os programas básicos de processador de texto e e-mail. Há analfabetos digitais e analfabetos digitais. Os primeiros formam o batalhão dos resistentes. Eles têm todas as condições de integrar-se à novidade. Mas negam-se a desvendar-lhe os mistérios. São pessoas que decretaram a própria velhice. Os segundos agrupam os marginalizados sociais. A cultura digital decorre de mudança extrema. No Brasil, a evolução se acelerou numa época de crise. Parte da classe média não consegue participar da revolução tecnológica. Falta-lhe renda. Os pobres nem pensam no assunto. Lutam pela sobrevivência. O Brasil se destaca no uso da cibernética. A informatização dos bancos serve de modelo ao mundo desenvolvido e em desenvolvimento. A declaração do Imposto de Renda pela internet mata de inveja ricos e pobres. O sistema de eleições eletrônicas, então, nem se fala. É considerado o maior e o mais moderno do planeta. Mas há um senão. A festa é reservada a poucos. Só 7,7% da população são usuários individuais da internet e cerca de 8% têm acesso à rede no trabalho. No total, 15,7%. É muito pouco. Há dois anos, o governo lançou programa de universalização da internet. Mas a proposta dorme no papel. Enquanto isso, as escolas ficam sem computador. E os alunos, fora da sociedade digital. Conclusão: o Brasil não saiu do lugar. O acesso à informação e ao conhecimento continua privilégio de poucos. Antes, o livro era indecifrável. Agora, as teclas são inacessíveis. É de arrepiar. Economia digital ninguém segura. Os novos postos de trabalho exigem domínio de informática. Vai pelo mesmo caminho o relacionamento com os bancos, com a Receita Federal e com as atividades de ensino em todos os níveis. O próximo governo não pode fechar os olhos à necessidade de ampliar — e muito — o acesso das camadas menos favorecidas à tecnologia de ponta. O analfabetismo digital é, talvez, a forma mais perversa de apartheid. Exclui do mercado de trabalho. Exclui da vida social. Exclui do direito de exercer a cidadania. A eleição de domingo serviu de amostra. * Dad Squarisi é colunista do Jornal "Correio Braziliense" (09/10/2002).
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