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26/11/2008 - 11:18
Grupo de Estudos da UNIGRAN prepara relatório de pesquisa apoiada pelo CNPq.
O Grupo de Estudos Literários e Lingüísticos da UNIGRAN (Gellgran) está concluindo uma pesquisa iniciada em 2007 sobre concordância na fala do homem douradense. Apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o estudo objetiva trazer contribuições ao ensino de Língua Portuguesa, nas escolas do Município, subsidiando os professores com dados científicos locais para a melhor interpretação dos Parâmetros Curriculares Nacionais dessa disciplina. O relatório final da pesquisa será encaminhado ao CNPq logo no início de 2009. A partir de dezenas de entrevistas já realizadas, o Grupo está descrevendo as variações de concordância e não-concordância registradas através de questionários orais gravados e, depois, transcritos. O trabalho segue metodologia da Sociolingüística e se propõe a averiguar os fatores sociais e lingüísticos que condicionam o uso da língua em situações concretas de comunicação. As primeiras evidências indicam que as mulheres fazem mais concordâncias verbais que os homens, e que as não-concordâncias em sentenças mais longas são recorrentes em vários depoimentos. Segundo a coordenadora do Gellgran, professora doutora Nara Sgarbi, a pesquisa envolve a classificação dos entrevistados segundo diversos critérios sociais, como gênero, idade e grau de escolarização, por exemplo. Em relação a esse último critério, há exemplos de ausência de concordância nas falas de alunos de diferentes níveis de escolarização. Para a professora, apesar de não ser conclusivo ainda, esse é um indicativo preocupante, porque sugere que os alunos não estão assimilando e usando no dia-a-dia os conteúdos curriculares da disciplina, estudados na escola. Ela esclarece que as hipóteses do estudo ainda estão sendo comparadas com os dados objetivos levantados. De qualquer formar, a pesquisa deve reacender o debate em torno da questão do ensino escolar da língua portuguesa. Conforme recomendam os PCNs, que têm marcante influência sociolingüística, a escola deveria reconhecer e aproveitar a diversidade cultural e lingüística da sala de aula no ensino da variante cultura da língua portuguesa. Isso significa valorizar os alunos e suas diferenças, e não apenas os livros e normas que levam o professor a dividir o uso da língua em certo e em errado. Nara Sgarbi comenta que a maioria dos professores ainda tem grande dificuldade em transformar as teorias sociolingüísticas em práxis, e permanecem presos aos manuais. “Nós queremos mostrar qual é o efeito dessa escolaridade [tradicional] no ensino da língua portuguesa [e] gostaríamos que a nossa pesquisa deflagrasse uma mudança atitude, que é partir da língua viva, do conhecimento lingüístico que o aluno traz, e nós sabemos que isso não está acontecendo”, disse a professora, falando da importância desse estudo para a comunidade, tão logo os resultados sejam divulgados. (JR)
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