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15/09/2006 - 16:43
Artigo: Idade da Informação - a era dos conectados e dos desconectados.
Bruno Barreto* Idade da Pedra, Antiga, Média, Moderna, Contemporânea e “Idade da Informação”. O homem, desde a pré-história, sempre teve a necessidade de comunicar-se e conhecer a si e aos outros. Em épocas tribais a comunicação era falada e ágrafa; na época romana, a estrutura do império necessitou de meios de comunicação para difundir seus ideais; nos séculos XIV, XV e XVI, existiram na Europa numerosos jornais manuscritos. Conforme a sociedade foi evoluindo os meios de comunicação foram se sofisticando. A evolução tecnológica e científica, do século XIX, tornou o mundo mais ágil e rápido, e exigiu que a comunicação acompanhasse esse ritmo. O alto nível das técnicas de impressão (com a invenção da máquina rotativa e do logoID_TIPO) e o progresso dos meios de transporte de informações (com a invenção do telégrafo) marcam o advento da Comunicação Social como indústria. No final do século XX, oriundo do processo de Globalização, surge o termo Sociedade da Informação ou Sociedade do Conhecimento. Tanto no Brasil como no mundo a Sociedade da Informação representa uma nova Era, o que chamo aqui de a passagem da Idade Contemporânea para a da “Idade da Informação”. Nesta nova Idade, os grupos sociais não são divididos em clérigo, nobre e servo, em burguesia e proletariado ou em classe alta, média e baixa, são divididos em conectados, os integrados/incluídos digitais, e desconectados, os desintegrados/excluídos digitais. Viver a Era da Informação é estar em um ritmo até pouco tempo inimaginável, com velocidade e quantidade sobre-humana. São linhas de fibra ótica, cabos submarinos transoceânicos, satélites, canais de microondas, fios de telefones e uma imensa malha de veículos de comunicação cobrindo países inteiros e interligando continentes. Em uma era interligada por “infovias”, com tantos reID_CURSOs tecnológicos, com um imenso número de dados produzidos a cada segundo e com uma metamorfose contínua que transforma a cada dia o modo de vida da sociedade, é difícil compreender as controvérsias marcadas na “Idade da Informação”. Os mesmos governos que discutem políticas de inclusão digital não conseguem abolir de seus países a miséria e as doenças terceiro-mundistas. Cóleras herdadas desde a Antiguidade e que a cada dia tornam-se mais latentes e assombram um maior número de pessoas, principalmente na América Latina, África e Ásia. A Sociedade do “Conhecimento” não consegue assegurar a maior parte de seus membros o cumprimento do artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em que é proclamado que “Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras”. Como entender a Idade da Informação se nem mesmo o direito à liberdade de opinião e expressão existem? Até mesmo a verdadeira função da Comunicação Social de informar, socializar, motivar, debater, educar, distrair, interagir e promover a cultura, na práxis, não é uma função de fato. Segundo o Livro Verde, que contém as metas de implementação do Programa da Sociedade da Informação no Brasil, o conhecimento tornou-se, hoje mais do que no passado, um dos principais fatores de superação de desigualdades, de agregação de valor, criação de emprego qualificado e de propagação do bem-estar; e esta nova situação tem grandes reflexos no sistema econômico e político, um fator estratégico fundamental para o desenvolvimento das nações. “A soberania e a autonomia dos países passam mundialmente por uma nova leitura, e a sua manutenção – que é essencial – depende nitidamente do conhecimento, da educação e do desenvolvimento científico e tecnológico; o advento da Sociedade da Informação é o fundamento de novas formas de organização e de produção em escala mundial, redefinindo a inserção dos países na sociedade internacional e no sistema econômico mundial,” completa. Os efeitos e os problemas dos meios de comunicação na sociedade já foram temas de debates na Organização das Nações Unidas (ONU), por três vezes (nas duas primeiras a discussão nada ou pouco avançou): 1) Em 1948, quando a ONU organizou em Genebra uma “Conferência sobre a Liberdade de Informação”; 2) Na década de 70, quando a UNESCO criou uma “Comissão Internacional de Estudos dos Problemas da Comunicação”, publicando, em 1980, um relatório conhecido com “Informe MacBride”, sobre a comunicação e a informação no mundo. O informe pregava uma “Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação” (NOMIC) que se apoiava sobre quatro pilares, os “quatro D”: Democratização dos fluxos informativos entre os países; Descolonização, ou seja, independência nacional e identidade cultural; Desmonopolização, criar limites as atividades das empresas multinacionais; e Desenvolvimento, com políticas nacionais de comunicação e com o fortalecimento do jornalismo regional; 3) em 2003, com a criação da “Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação” (CMSI), duas etapas já foram realizada, em Genebra (2003) e na Tunísia (2005), o principal desejo e compromisso da cúpula é “construir uma Sociedade da Informação centrada nas pessoas, inclusiva e que outorgue importância ao desenvolvimento, onde todos possam criar, ascender, utilizar e compartilhar informação e conhecimento; que permita as pessoas, as comunidades e aos povos desenvolver plenamente seu potencial com o fomento do próprio desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida, com base nos objetivos e nos princípios da Carta das Nações Unidas, e que respeite plenamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos”, extraído do texto final da CMSI em 2003. Os assuntos relacionados à Comunicação, agora mais que antes, devem ser considerados e tomados como primordiais pelos governos, pelas empresas e organizações e pela sociedade civil, assim como acontece com os assuntos da economia, da política e da segurança. Na Idade da Informação, a comunicação não pode, como nunca pôde, ser tratada como entretenimento. Entender o papel da Comunicação no mundo atual é fomentar a construção de uma sociedade intelectualizada que compreenda, participe e “conecte-se” ao sistema. Caso contrário, a dominação econômica-política-cultural-midiática, continuará. *O autor é Bacharel em Jornalismo, Mestre em Comunicação Social, professor universitário e Coordenador dos ID_CURSOs de Jornalismo e Publicidade & Marketing da UNIGRAN. Informações: bruno@unigran.br Fonte: Artigo publicado em 15/09/2006 no caderno especial de aniversário do jornal Diário MS.
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