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16/06/2005 - 12:25
Zilda Arns é recebida no Núcleo de Atividades Múltiplas da UNIGRAN.
A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, visitou ontem algumas localidades da Reserva Indígena de Dourados e o Núcleo de Atividades Múltiplas da UNIGRAN (NAM), na Aldeia Jaguapiru, onde funcionam vários projetos de extensão da Instituição e a cozinha de produção da Multimistura Alimentar que é distribuída às aldeias indígenas do sul do Estado, pela Fundação Nacional de Saúde. Zilda Arns – médica indicada ao Prêmio Nobel e mundialmente conhecida por sua luta para erradicar a desnutrição infantil – foi recepcionada pela reitora, professora Rosa Maria D’Amato De Déa, e pela pró-reitora de Ensino e Extensão da Instituição, professora Terezinha Bazé de Lima, e acolhida com festividades por lideranças guaranis e terenas. Houve até mesmo uma solenidade de recepção, em que representantes dos índios fizeram disID_CURSOs reivindicatórios. Os pedidos são de mais terras e assistência técnica para plantarem, e de melhor atenção do poder público sobre assuntos de saúde e educação. A visitante prometeu levar as reivindicações às autoridades governamentais, mas sugeriu que a própria comunidade assumisse algumas iniciativas, como desenvolver o que chamou de pequenas agriculturas em lotes que viu sem cultivo. “A gente deve ser bem realista, a coisa de conseguir terras às vezes leva anos e a fome é todo dia. Eu vejo terras pequenas, em que se podiam plantar. Eu penso que, talvez, se fizesse um projeto de pequenas agriculturas, ajudaria. Coisas pequenas assim têm ajudado muitos índios no Brasil”, disse Zilda Arns. A médica, que também coordenada a Pastoral Nacional da Pessoa Idosa é membro do Conselho Nacional de Saúde e da Comissão Intersetorial de Saúde do Índio, propôs que as mulheres indígenas se organizem numa rede de solidariedade dentro da Reserva de Dourados, desenvolvendo ações de apoio e proteção de sua própria saúde e da saúde de seus filhos. Para tanto, ela ofereceu ID_CURSOs de formação de lideranças através da Pastoral da Criança, para aprenderem técnicas de cuidados com os filhos e repassarem esses conhecimentos às outras mães. Segundo Zilda Arns, hoje existem cerca de 250 mil voluntários trabalhando no sistema de redes de solidariedade, em 38 mil comunidades carentes em todo o país. Do total de voluntários, 92% são mulheres, a quem ela considera as mais capazes de reverter pessimismo em otimismo. “O que falta é instruir mais as mulheres para elas multiplicarem o saber e a solidariedade com as famílias vizinhas; não cada um ter que cuidar de si, mas ter uma rede solidária voluntária, porque o voluntariado, digamos, é o grande lance para se obter resultados e é trabalhar com amor, não só com DATA_HORA marcada para ganhar dinheiro”, comentou. Nesse trabalho de transformação de tristes realidades, a Pastoral da Criança ficou conhecida no mundo por desenvolver a farinha multimistura, que ajudou a reduzir a mortalidade infantil por desnutrição em muitas comunidades. Mas, para Zilda Arns, são as ações básicas de saúde e a conscientização das mães os principais fatores de sucesso da Pastoral da Criança nas comunidades carentes. “A multimistura ajuda a enriquecer o alimento de costume, mas não faz o milagre de deixar de morrer criança. O milagre é o conhecimento que as mães adquirem sobre o cuidados dos filhos. Deixar de morrer criança depende de todas essas ações de solidariedade e de aprendizagem”, falou a visitante. Zilda Arns declarou ter gostado de saber que existe uma Universidade presente na Reserva Indígena, realizando um trabalho de extensão que visa a contribuir na busca de soluções dos problemas das comunidades. “Eu acho que é obrigação da universidade chegar onde tem maior necessidade, ela tem o conhecimento; a ciência não pode ficar dentro de muros, de uma biblioteca, nas teses; então, isso deve ser feito e deve ser divulgado também, achei muito bom e gostei muito”, elogiou a visitante. Uma das razões da visita da médica ao Núcleo de Atividades Múltiplas da UNIGRAN foi para conhecer a produção da farinha multimistura, que é feita por voluntários índios e não-índios que atuam em conjunto com a Funasa. O equipamento que produz a farinha foi doado pela Seara Alimentos, em 2002, por solicitação da UNIGRAN. À época, já se tinham notícias de altos índices de mortalidade infantil provocados pela fome e por doenças decorrentes de más condições sanitárias. Esse e outros motivos levaram a UNIGRAN a desenvolver projetos de extensão permanente nas comunidades indígenas de Dourados, visando à melhoria da qualidade de vida nas Aldeias. Isso inclui, ainda, a abertura de acesso e permanência de jovens indígenas nos ID_CURSOs superiores da Instituição. A professora Rosa De Déa considerou a visita de Zilda Arns uma importante ajuda nesse trabalho. “A visita foi muito importante porque ela é uma pessoa que tem credibilidade internacional e vai sempre chamar a atenção para a causa indígena, em que estamos trabalhando, mas ninguém consegue nada sozinho”, disse a reitora da Instituição. (Cobertura fotográfica e entrevista: Agnaldo Lisboa - estagiário de Jornalismo).
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