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29/03/2005 - 11:04
UNIGRAN gradua maior turma de índios do país no ensino superior.
Nem tudo que envolve os índios de Dourados e de Mato Grosso do Sul é notícia negativa. Há pessoas e instituições trabalhando seriamente na melhoria da qualidade de vida nas Aldeias de Dourados. A UNIGRAN é uma das que efetivamente realizam ações afirmativas nessas Aldeias, buscando contemplar as solicitações das próprias comunidades indígenas do Município. O Núcleo de Atividades Múltiplas na Aldeia Jaguapiru e, mais recentemente, as instalações que a Instituição está concluindo na Aldeia Bororó, e o “Projeto de Apoio ao Estudante Indígena” (PAEI) são as bases das atividades de extensão e das iniciativas para a inclusão social e educacional do índio, e que visam resultados de curto, médio e longo prazos. Hoje, esse trabalho de responsabilidade social começa a conquistar parceiros entre as empresas, organizações do terceiro setor e do governo. Dentre os resultados já alcançados por meio dessas parcerias, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a UNIGRAN ressaltam que, neste ano, 61 indígenas estão matriculados em dezenove ID_CURSOs diferentes da UNIGRAN, e comemoram um fato inédito na história do Brasil: a formação superior de 13 índios, num único ano. Em 2004, onze acadêmicos apoiados por bolsas desse convênio, e mais dois que terminaram os estudos com bolsas da própria Instituição, formaram-se em Pedagogia, Letras, Biologia, Biomedicina, Educação Física, Administração do Agronegócio e em Direito. A maioria dos novos profissionais é das aldeias de Dourados, mas há outros que vieram das aldeias de Amambai e Aquidauana. O novo professor de Educação Física Ismael Morel, guarani da aldeia de Amambaí, mais ao sul do Estado, disse que evoluiu muito durante a sua vida universitária. “A mudança foi total, eu aprendi muita coisa que pretendo utilizar em minha comunidade”, disse. Da mesma localidade e também formada em Educação Física, Valdemira Mendes diz que ainda precisa aprender mais coisas, mas se percebe como exemplo. “Eu me sinto privilegiada de ter terminado a faculdade e de abrir as portas para os meus colegas índios e despertar neles a vontade de ingressar numa universidade e seguir uma profissão”, falou. Desde 1999, quando foi instituído o PAEI, muitos estudantes indígenas até que conseguiram passar no Vestibular. Mas a diferença de formação no Ensino Básico e as dificuldades que maiores que eles enfrentam para se manter no ID_CURSO, fez com que muitos desistissem da jornada. Por esse motivo, os que já se formaram são duplamente vitoriosos. “Eu considero uma grande vitória; cresci muito como pessoa, principalmente, no meu comportamento de mãe, e no sentido de poder me realizar como profissional”, disse a professora Edilaine Fernandes Moraes, licenciada em Pedagogia, e que atua na Escola Municipal “Tengatui Marangatu”, da Reserva Indígena de Dourados. Já o professor de Educação Física Laucídio Flores, índio terena campeão nacional de arremesso de lança em dois “Jogos Indígenas”, entende que a caminhada não termina na graduação. “Para mim o Ensino Superior representa que eu venci uma etapa e que, depois dessa, vêm outras, e nós devemos estar indo mais adiante em nossa caminhada”, disse ele. A aplicação de novos conhecimentos, de maneira harmônica com as tradições indígenas, é o maior desejo dos novos profissionais. “A gente busca trabalhar para a nossa comunidade, principalmente, com os jovens e com as crianças da escola, a partir daquilo que nós aprendemos”, disse Aginaldo Rodrigues, índio guarani formado em Pedagogia. O bacharel em Direito Almires Machado diz, com orgulho, que a sua conquista e a dos colegas na UNIGRAN desmistificam idéias preconceituosas. “Dourados é levada para o mundo inteiro como uma aldeia de bêbados, vagabundos, preguiçosos e de potenciais suicidas e, ultimamente, de ‘a aldeia da morte’, onde crianças morrem, mas por outro lado nós estamos provando para aqueles que dizem que os bolivianos, paraguaios e índios têm tendência de serem burros, de que somos capazes. Hoje, nós temos diploma na mão e a nossa opinião tem de ser respeitada”, declarou o índio terena. Além de Almires, Edilaine, Aginaldo, Valdemira, Laucídio e Ismael, aqui entrevistados, também se graduaram pelo PAEI, os índios Cristiane Machado Ortiz e Egizele Mariana da Silva, em Letras; Dita Benito Pedro, em Pedagogia; Fernanda Silva Dourado, em Biologia; Joseana Souza dos Santos, em Biomedicina; e Jesse Massi de Moraes e Ricardo Machado, em Administração de Agronegócios.
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