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07/07/2004 - 16:51
ID_CURSOs oferecidos no NAM criam alternativas de renda para a mulher indígena.
Os ID_CURSOs de tricô, crochê e bordado que a UNIGRAN e a OSCIP Amigo do Índio (AmI) promovem no Núcleo de Atividades Múltiplas da Instituição, na Reserva Indígena, (NAM), estão despertando o empreendedorismo mesmo nas alunas mais jovens. Indianara Lima Guimarães, de dez, e Letícia Lopes de Campos, de onze anos de idade, começaram as aulas neste ano e já estão bem adiantadas nas habilidades com as agulhas e nos planos de futuro. “A minha vizinha falou que aqui tinha aula; aí eu vim para aprender bordado. Eu quero produzir para poder vender, né”, planeja Letícia. O exemplo dela é a índia terena Érica Cristiane Gabriel, de 18 anos, que freqüenta essas aulas faz três anos e está se tornando uma bordadeira conhecida em sua região. “Eu já sei, mas quero continuar melDATA_HORAndo para ter um meio de ganhos”, disse a adolescente que já fornece bordados para uma razoável clientela. Mas nesse grupo, não é só a pouca idade o motivo de esperanças. Dona Maria Gabriela da Silva, de 54 anos, não quer aprender as artes do tricô e do crochê só para confeccionar roupas para os seus “vários” netos, como frisou. “Não! Eu quero aprender para mim; aprender, fazer e vender, né”, comentou logo na primeira vez que foi à aula, semana retrasada. Em menos de duas DATA_HORAs, ela já via nascer uma peça larga de suas mãos. A voluntária Joselita Mendes Bezerra, de 57 anos, proprietária de um pequeno restaurante, é uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento das alunas. Desde 2001, a empresária vai ao NAM duas vezes por semana, à tarde, ensinar tricô e crochê a turma composta por senDATA_HORAs índias de até 80 anos de idade, jovens e de mocinhas que querem aprender o que ela sabe desde criança. O que para dona Joselita é natural, para as índias é uma descoberta. “Elas aprendem muito bem, assim, com muita vontade, sabe”, diz a instrutora que ainda hoje se empolga com a aplicação das alunas. Ela supõe que o tricô e o crochê são os preferidos das mulheres indígenas porque possibilitam confeccionar uma grande variedade de peças de vestuário e de decoração e em curto espaço de tempo. Daí haver um consumo elevado de materiais nessas aulas. “Nós precisamos de linha, precisamos de agulha e eu acho que é um trabalho que deve ser incentivado”, disse a instrutora, sugerindo maior participação da sociedade nessa atividade. Por esse motivo, a OSCIP Amigo do Índio lançou uma campanha de arrecadação de retalhos de tecido, rolos de barbante de tapeçaria, linhas de costura e de bordado e novelos de lã que irão para a esse projeto. As doações podem ser encaminhadas para a Secretaria de Extensão da UNIGRAN, no prédio 2, à srta Luciane, ou diretamente à Amigo do Índio, telefone 411-4161. EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL As aulas de tricô, crochê e bordado, nas terças e quintas-feiras, são freqüentadas principalmente por mães, irmãs e avós das crianças indígenas que recebem atenção pedagógica na Brinquedoteca, que fica nesse Núcleo da UNIGRAN, na Aldeia Jaguapiru. Nos outros dias da semana, enquanto as crianças estão sob o cuidado dos estagiários de Pedagogia, elas estão produzindo os mais diversos artigos. A coordenadora da Brinquedoteca, professora Lúcia Eugênia Pittas, mestre em Educação e ela própria instrutora de bordado, reforça que um dos objetivos do ensino de artes manuais no NAM é a geração de renda. “Nós as estamos habilitando a fazerem um artesanato vendável”, disse a professora que se mostra contente com a produção geral da sala este ano e anuncia a provável antecipação do bazar anual desse projeto, “temos alunas que já estão no segundo e no terceiro ano de bordado; então, elas bordam rápido e, provavelmente, nós faremos uma feira em agosto ou setembro para vendermos a peças já produzidas”, disse. Além do aspecto de capacitação para atividades geradoras de renda, a pró-reitora de Ensino e Extensão da UNIGRAN, professora Terezinha Bazé de Lima, doutora em Educação, vê nessas aulas, bem como nas outras atividades que são desenvolvidas no NAM, a configuração de um espaço de educação não-formal. Esse conceito que se está desenvolvendo na Pedagogia orienta ações educacionais paralelas e transversais à atividade educacional principal. No exemplo, na interação social entre instrutoras e alunas de tricô, podem entrar assuntos ligados à saúde, comportamento e outros de importância prática na vida dos alunos. “Enquanto se ensina o ponto, tudo pode entrar na conversa. Isso é um trabalho de educação e, na Reserva, temos hoje em torno de seis mil crianças e adolescentes; quer dizer a Pedagogia tem esse campo e nós precisamos ter esse espaço não-formal”, disse a professora Bazé, sugerindo a insuficiência da capacidade dos espaços formais de educação, como escolas, para dar conta das demandas educacionais da população.
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