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18/05/2004 - 11:32
ARTIGO: A gravíssima questão do leite in natura.
*Samuel Carvalho de Aragão Fiz o meu mestrado em Vigilância Sanitária pela UNESP de Botucatu, SP, tendo como campo de minha pesquisa a periferia da cidade, onde pesquisei a incidência de cisticercose nos bovinos, nos suínos e a incidência de Taenia spp na população da área estudada. Que bom seria se através da pesquisa tivesse deparado somente com a questão da cisticercose, que foi a proposta do projeto. Deparei-me com um quadro assustador de Tuberculose, Brucelose, Mastite e outras infecções no gado bovino periférico de Dourados, de onde sai muito leite que é comercializado in natura por leiteiros toda a cidade. Comentei este fato com meus alunos de Medicina Veterinária, quando observei, num sábado de manhã, um leiteiro entregando o leite em várias mansões de bairros nobres da cidade. Parei para ver a que ponto a população se expõe a tanto risco. E que dizer das placas colocadas ao longo da BR que vão da Vila São Pedro à Nova Alvorada oferecendo queijos caipiras, ovos, lingüiça, frangos, leitões, ovelhas etc, sem serem inspecionados? Por que isto está vindo à tona agora? Quem me conhece sabe o quanto sofri para concluir este trabalho, não tive o apoio financeiro que precisei dos órgãos públicos. Na época, o secretário de saúde do Município foi alertado para a grave situação, o quadro era tão assustador que a equipe de orientação da minha tese se deslocou até aqui para acompanhar o abate de um lote de gado e a coleta de material, o que virou notícia nos veículos de comunicação da nossa cidade. Os animais eram abatidos para pesquisa de cisticercose, índice este, alto e, no entanto, deparava-nos com outras enfermidades infecto-contagiosas. Simplesmente nos ofereceram o laboratório do PAM para análises coproparasitológica (exames de fezes). Fomos para Campo Grande oito vezes. Viagens para nada. Os secretários estadual e municipal de Saúde, à época, disseram não terem verbas para contribuir na pesquisa. Porém, encaminharam-nos à Seprodes, de lá, para a Vice-Governadoria, de lá, para o IAGRO e, por último, à Fundect. Concluindo, realizei todo o meu projeto com reID_CURSOs próprios e ajuda de muitos amigos. E quero que se saiba que o resultado é alarmante: o leite in natura tão defendido por muitos douradenses é um veículo de transmissão de muitas enfermidades levantadas na pesquisa. Tão grave é a situação que a UNESP selecionou o meu trabalho e eu o estarei apresentando no Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, em São Luiz, no Maranhão. Faz quase três anos, fui convidado pela promotora Cristiane Amaral Cavalcante, a participar de uma reunião com açougueiros e donos de mercados em Ponta Porã. Saí de lá tarde da noite e preocupado se chegava vivo em Dourados, de tão pesado que foi o clima da reunião que tratou do abate clandestino, leite in natura etc. Não citarei, por questão de ética, nomes de pessoas de nossa cidade que estão com Neurocisticercose, enfermidade que é transmitida pela ingestão de carne suína infectada com a larva do verme. São pessoas públicas e pessoas comuns, de bairros da periferia, onde existem muitos casos iguais. É só pesquisar junto aos neurologistas da cidade. Sem falar das enfermidades que o leite in natura contaminado pode transmitir à população, da questão de higiene do produto, toxiinfecções e dos antibióticos no leite. Um alerta sobre o índice de tuberculose no homem: ele está cada vez aumentando mais. É inadmissível ouvir coisas tais como “no tempo do meu avô já existia esse comércio”. Só que já passou da DATA_HORA de se acabar com este ID_TIPO de comércio, nem que para isto tem que lotar as celas da delegacia. Li no jornal a crônica de uma pessoa de destaque da nossa cidade indignado com a prisão de um leiteiro, homem honesto, pai de família etc. Em hipótese alguma se colocou “a vítima” com infrator, como uma pessoa que pode estar levando para dentro da sua casa, meu amigo, um produto que pode ser causador de enfermidades. Não tenho nada contra ninguém; absolutamente, o que está sendo discutido é a Saúde Pública. Esta deve ser a bandeira de cada um de nós. A ONU, semana passada, fez um grande alerta para o mundo. Doenças que afetam os animais estão atingindo cada vez mais os seres humanos. A partir de Julho de 2005 entra em vigor uma nova portaria do Ministério da Agricultura para o Leite Pasteurizado. Além das atuais exigências de qualidade e sanidade do produto, muita coisa vai melDATA_HORAr. Nós, na segunda cidade de Mato Grosso do Sul, não temos uma mini-usina de leite para os pequenos produtores e, tão grave quanto ao leite, não temos um abatedouro municipal. Isto é gravíssimo: há carne clandestina entrando nas residências. E a questão da lingüiça caipira que contém carne de porco sem inspeção? Não podemos tampar o sol com a peneira e fazer de conta que não estamos vendo, sermos omissos. As irregularidades têm que acabar.
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